Ajude a manter o TextoLivre.

Como trabalhar o complexo de inferioridade na terceira idade

 

Atendendo ao pedido da leitora Elaine Queiroz, que trabalha com pessoas que já chegaram a terceira idade, me proponho neste artigo a apresentar luzes sobre a necessidade de despertar nestas pessoas o amor próprio, o amor pela vida.
 
Não é raro observar idosos tristonhos, envergonhados do seu passado ou temendo a morte que se aproxima. Chegar a terceira idade é carregar um leque de experiências nem sempre satisfatórias. O peso de olhar pra trás e perceber que muitas coisas poderiam ser diferentes, remete a uma velhice cheia de culpa, onde o idoso não vê mais sentido no existir.
 
Quem não cuida dos complexos de inferioridade ainda jovem, pode carregá-los por toda uma vida. Depois que a idade chega, fica mais difícil criticar certos pensamentos negativos e encontrar um equilíbrio no existir. Mas é possível sim despertar nos idosos o gosto pela vida. Um bom começo é deixar que falem dos seus medos.
 
A maioria dos idosos gosta de conversar. Sente-se perto deles e a conversa flui naturalmente. Eis aí uma boa oportunidade para “mexer” nas feridas e deixar que contem seus traumas, seus medos e arrependimentos. Pode parecer estranho, mas a melhor maneira de resolver um passado sombrio é encarando-o de frente. Ao desabafar, talvez o idoso encontre um ponto de equilíbrio e perceba não ser possível mudar o passado, mas fazer um novo recomeço.
 
Quem trabalha com idosos precisa ter altas doses de paciência. Não é fácil despertar neles o senso de responsabilidade pela própria vida. Muitos acreditam que são inúteis, já “deram o que tinha de dar” e não resta nada mais além de se contentar com uma aposentaria e a espera pela morte. Uma boa dinâmica consiste em confiar-lhes tarefas simples, mas que lhes dê prazer. Bordados, jogos de xadrez ou até mesmo aulas de informática podem ser o remédio para o sentimento de inutilidade na terceira idade.
 
A timidez também está presente na vida dos idosos. Muitos cresceram num lar conturbado, onde a opinião dos pais era majoritária. Casaram-se e foram empurrando a timidez com a barriga, achando que o tempo se encarregaria de sarar. A velhice chegou e consequentemente, as pessoas se afastaram. Quanto mais sozinho o idoso fica, mais tímido ele se sente. O convívio com pessoas de diferentes idades contribuiu para momentos de descontração que poderão ser a chave para livrar-se deste mal.
 
Conheço muitos idosos sozinhos. Viveram uma vida para a esposa (o esposo), os filhos e para os outros, mas não cuidaram de cultivar os laços de amizade. Quem teve tempo para fazer amigos, terá amigos verdadeiros quando o tempo passar. A solidão talvez seja a maior vilã na vida de quem busca ser feliz. Solitários tornam-se inacessíveis. Viver só é o começo do mal viver.
 
Sugiro a leitora Elaine Queiroz, que procure criar espaços de diálogos com os idosos sob sua responsabilidade. Quando a pessoa é ouvida ela se sente valorizada, mesmo que a principio não se perceba assim. Com o tempo, a timidez pode ser criticada e os momentos de lazer não deixarão que os complexos de inferioridade se aproximem. Todo idoso precisa “correr” atrás de viver uma vida mais serena, afinal de contas, já somos cobrados demais enquanto jovens. Quando a idade chega, o bom mesmo é aproveitar para ser feliz.
 
 
 
Paulo Franklin
Radialista, fotógrafo, palestrante,
 estudante do curso de Direito e escritor
 
© 2011 Texto Livre - Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.

Compartilhe

 
Joomla 1.5 Template by JoomlaShack.com