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O papel da Educação Física nas Instituições Públicas Municipais em Pedra de Guaratiba

 

 
CAPITULO I
O PROBLEMA
1.1 INTRODUÇÃO
        Pedra de Guaratiba é um bairro na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. A denominação “Pedra de Guaratiba” teve sua origem na partilha das terras da região de Barra de Guaratiba pelos herdeiros do seu primeiro donatário, o português Manoel Velloso Espinha.Com sua morte, seus dois filhos Jerônimo Velloso Cubas e Manoel Espinha Filho herdaram a Freguesia de Guaratiba. Através de mútuo consentimento resolveram dividir entre eles as terras herdadas do pai, ficando Jerônimo com a parte norte e Manoel com a parte Leste, tendo o rio Piraquê como marco divisório. Jerônimo Velloso Cubas, não tendo herdeiros, pela lei foi forçado a doar sua parte à província Carmelitana Fluminense, uma congregação religiosa de frades da Ordem do Carmo.
        A congregação carmelitana de posse religiosa das terras, fez construir diversas benfeitorias entre as quais, igreja, noviciato e um engenho.No engenho havia uma grande produção de açúcar, rapadura e um vasto canavial, proporcionando dessa forma um rápido desenvolvimento à região, em cuja área surgiu a Fazenda da Pedra, região hoje denominada Pedra de Guaratiba, atualmente grande produtora de pescado, e hospedeira da Fundação Xuxa Meneghel. Há também a graciosa igreja Nossa Senhora do Desterro, uma das mais antigas da cidade, construída a beira-mar, tombada como patrimônio da humanidade pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
        Como qualquer outro bairro essa região passou e passa por várias mudanças, tanto em relação a sua população quanto em relação aos hábitos de seus habitantes. Reflexo dessas mudanças nos últimos anos, Pedra de Guaratiba ganhou novas Unidades Escolares, tanto públicas quanto privadas, fato este que foi foco desse estudo. No ultimo censo demográfico a população total de Pedra de Guaratiba ficou estimada em 143.000 habitantes (Fonte: Instituto Pereira Passos, IBGE, 2000), e o número de escolas públicas municipais no centro do bairro é de seis com um total de 2924 educandos matriculados no 3º ciclo de formação (Fonte, SME/RJ, 2006). Com a vindade duas novas escolas, além das outras quatro que o bairro já possuía mais alunos tiveram acesso à educação, ao ambiente escolar e a Educação Física, desde as séries iniciais até os últimos ciclos de formação. Porém o estudo se limitou as Unidades Escolares localizadas no centro de Pedra de Guaratiba e a educandos regularmente matriculados no 3º ciclo de formação.
1.2 SITUAÇÃO - PROBLEMA
        Com base nestes dados e motivado em estudar a Educação Física no Bairro de Pedra de Guaratiba, o estudo tem por objetivos:
(1)   Analisar de que forma os professores de Educação Física da rede pública municipal do bairro pensam sobre o papel da Educação Física nas escolas públicas dessa região e sua influência na vida cotidiana dos alunos.
(2)   Que relações existem entre as estratégias de ensino utilizadas pelos professores nas diversas unidades escolares,
(3)   O quanto estas instituições valorizam os professores e a Educação Física Escolar,visto que a função da escola e também da Educação Física, já que a mesma se encontra dentro do ambiente escolar e inserida no Projeto Político-Pedagógico da escola, é preparar o educando para poder atuar na sociedade de forma ativa, crítica e ética, conceitos básicos de uma sociedade saudável.
 Vivemos um desafio histórico, de avançarmos na concepção de uma escola para poucos, para aconcepção de uma escola para todos e cuja garantia de direitos se fundamente em uma escola com qualidade social, que permita e garanta o acesso e a permanência aos que nela ingressarem. Democratizar a acesso à educação básica é resgatar o conceito de cidadania como eixo norteador das praticas educativas e sócias (EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA: IMPLICAÇÕES PARA A PRATICA PEDAGOGICA, p.25, 2005).
 
1.3 OBJETIVOS GERAIS
        Analisar as diferentes formas de abordagens dos professores de Educação Física na sua prática pedagógica nas unidades escolares públicas municipais do bairro de Pedra de Guaratiba, região situada na zona oeste do Rio de Janeiro, procurando, através dos resultados, uma base teórica sobre o tema levantado e a função real da Educação Física na escola publica municipal de Pedra de Guaratiba e suas implicações para o desenvolvimento global do educado, independente de sua classe, ou instituição de ensino, levando em consideração as peculiaridades desse bairro.
 
1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
        Analisar as estratégias utilizadas pelos professores de Educação Física nas turmas de 3° ciclo de formação e quais são as principais respostas para estas estratégias. Descobrir quais relações existem entre a valorização do professor de Educação Física e seu trabalho na Escola e verificar até que momento uma Educação Física voltada para performance pode ser aproveitada pelos alunos dentro do ambiente escolar, abordando temas tais como: Treinamentos no horário das aulas, Jogos estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro, exclusão dos mesmos aptos e valorização dos mais aptos.
 
 
 
1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO
        Promover através do presente estudo, uma base teórica sobre a prática da Educação Física nas instituições públicas municipais do bairro de Pedra de Guaratiba, visto que dispomos de poucos estudos sobre esse tema. Estimular também, reflexão dos professores acercade suas estratégias de ensino, analisando se estas estão condizentes com as necessidades dos educandos de Pedra de Guaratiba, já que os mesmos possuem, como qualquer outros educandos de algum bairro ou cidade, impregnados em si, a cultura de seu bairro, sua rua ou sua família, fato que torna a prática pedagógica diferente de escolas para escolas, e até mesmo entre diferentes turmas numa mesma Unidade Escolar, o que leva o professor a sempre estar refletindo e reavaliado suas estratégias de ensino.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPITULO II
FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
 
2.1 A EDUCAÇÃO FÍSICA NA LDB
        Na primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em dezembro de 1961, a Educação Física já era considerada obrigatória nos cursos de graus primário e médio até a idade de 18 anos. A Educação Física nesta época tinha como preocupação primordial à capacitação (preparação) física dos jovens para o ingresso no mercado de trabalho de forma produtiva.
        Com a reforma educacional de 1971, houve algumas mudanças em relação ao papel (função) da Educação Física e a ampliação da obrigatoriedade em todos os níveis e ramos de escolarização, sendo que a participação nessas aulas era facultada aos alunos que estivessem em uma das seguintes situações: estudar em período noturno e trabalhar mais de 6 horas diárias, ter mais de 30 anos de idade estar prestando serviço militar e estar fisicamente incapacitado (CASTELLANI FILHO 1998). Essas opções de facultabilidade reforçaram as intenções do governo da época de que a Educação Física fosse apenas um instrumento de preparação do trabalhador.
        Além de tudo isto, a essa época, a Educação Física era considerada uma mera atividade extracurricular, o que fez com que ela fosse vista durante muito tempo, principalmente após a década de 1980, como um elemento sem nenhum comprometimento formativo educacional.
A partir da promulgação da lei n° 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o status da Educação Física mudou, passando a se considerada um componente curricular como qualquer outro. A referida legislação reza, em seu art. 26 - §3.°, o seguinte:
“A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativo nos cursos noturnos” (BRASIL, LDB, 1996).
        Essa alteração, no entanto, não trouxe as mudanças esperadas, pois, como esse artigo era muito genérico, não ficou garantida a presença das aulas de Educação Física em todas as etapas da Educação Básica, e muito menos que os profissionais que ministrassem essas aulas contassem com formação especifica.
        Na tentativa de garantir a presença da Educação Física em toda a Educação Básica, no ano de 2001, foi aprovada uma alteração no §3.° do art. 26 da LDB, que incluiu a expressão “obrigatória” após o termo “componente curricular”, o que, não trouxe nenhuma mudança substancial, muito embora alguns órgãos da área tenham feito grande estardalhaço quando de sua aprovação, tendo em vista que não ficava claro que a mesma devesse ser ministrada, por exemplo, em todas as séries da Educação Básica.
        De qualquer forma, a LDB atual trouxe grandes avanços para a Educação Física escolar. Um desses aspectos é o fato de a mesma ser encarada como um componente curricular, e, talvez, mais importante ainda, seja o fato de a mesma dever se ligar ao projeto pedagógico da escola, dando a possibilidade de que a Educação Física se integre ao cotidiano escolar e demonstre a sua importância.
 
 
 
 
 
 
2.2 ALGUNS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
        Os objetivos da Educação Física Escolar para o 3° ciclo de formação, foco deste estudo, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são os seguintes:
  • Que o educando participe de atividades de natureza relacional, reconhecendo e respeitando suas características físicas de desempenho motor, bem como a de seus colegas, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais. Aprimorar-se de processos de aperfeiçoamento das capacidades físicas, das habilidades motoras próprias das situações relacionais, aplicado-os com discernimento em situações-problema que surjam no cotidiano;
  • Que o educando adote atitudes de respeito mutuo, dignidade e solidariedade na prática dos jogos, lutas e esportes, buscando encaminhar os conflitos de forma não-violenta, pelo dialogo e prescindindo da figura do arbitro. Saber diferenciar os contextos amador, recreativo, escolar e o profissional, reconhecendo e evitando o caráter excessivamente competitivo em quaisquer desses contextos;
  • Que o educando conheça, valorize, aprecie e desfrute de algumas das diferentes manifestações da cultura corporal, adotando uma postura despojada de preconceitos ou discriminações por razões sócias, sexuais ou culturais. Relacionar a diversidade de manifestações da cultura corporal de seu ambiente e de outros. Com o contexto em que são produzidas e valorizadas;
  • Que o educando se aprofunde no conhecimento dos limites e das possibilidades do próprio corpo de forma a poder controlar algumas de suas posturas e atividades corporais com autonomia e a valorizá-las com recurso para melhoria de suas aptidões físicas. Aprofundar as noções conceituais de esforço, intensidade e freqüência por meio do planejamento e sistematização de suas praticas corporais. Buscar informações para seu melhor aprofundamento teórico de forma a construir e adaptar alguns sistemas de melhoria de sua aptidão física;
  • Que o educando organize e pratique atividades corporais, valorizando-as como recurso para usufruto do tempo disponível, bem como ter a capacidade de alterar ou interferir nas regras convencionais, com intuito de torná-las mais adequadas ao momento do grupo, favorecendo a inclusa dos participantes. Analisar, compreender e manipular os elementos que compõem as regras como instrumento de criação e transformação. Analisar alguns padrões de beleza, saúde e desempenho presentes no cotidiano, e compreender sua inserção no contexto sociocultural em que são produzidos despertando para o senso crítico e relacionado-os com as praticas da cultura de movimento;
  • Que o educando organize e interfira no espaço de forma autônoma, bem como reivindicar locais adequados para promoção de atividades corporais e de lazer, reconhecendo-as como uma necessidade do ser humano, em busca de uma melhor qualidade de vida.
 
        As aulas de Educação Física Escolar devem levar em consideração os conhecimentos dos educandos - e sempre respeitar as diversidades culturais que existem dentro de uma mesma classe - conhecimentos estes, que foram e são adquiridos através de diversas relações com o meio em que vivem, tanto em atividades propostas nas aulas de Educação Física, em atividades na sala de aula, no seu bairro, sua rua, seus amigos, etc. Conforme Caparroz e Bracht (2006):
Parece estranho, mas é necessário recordar que a condição humana de nosso alunos impõe um caráter irrestritamente singular às nossas aulas. Isso significa superar a pretensão pífia e falaciosa de que uma mesma aula pode ser aplicada a várias e diferentes turmas.
 
        O desporto tem seu papel dentro das aulas de Educação Física, “primeiro devido ao fato dos esportes em si serem considerados como patrimônio da humanidade” (DAOLIO, 2004) e, em sendo assim devem ser transmitidos aos alunos como uma forma manifestação cultural de diversos povos. Como exemplo podemos citar o caso do futebol no Brasil, do basquetebol nos Estados Unidos, entre outros países quem possuem suas tradições em determinados desportos. O ensino dos desportos nas aulas de Educação Física Escolar deve sempre se utilizar dos pontos positivos dos mesmos e com isso transmitir aos educandos conceitos tais como: ética, cooperação, integração, respeito às diferenças, desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo, ou seja, promover um desenvolvimento biopsicosocial nos alunos e não se utilizar das mazelas do esporte como o não respeito às regras, a competição exacerbada, entre outros aspectos que quase sempre estão ligados aos desportos de alto nível, onde a prioridade é a performance, o rendimento, a valorização dos mais aptos e exclusão dos menos aptos.
 
        Sobre a competição, que pode ser desenvolvida nas aulas de uma forma saudável e livre de qualquer traço dos esportes de alto nível, ou da competição, como é tratada pelos clubes ou outras instituições que prezam por resultados, na escola, deve ser desenvolvida de forma que o educando saiba lidar com a pressão, seja de um jogo nos jogos internos da escolares ou no momento de tomar uma decisão importante na sua vida, com as diferenças entre os seres humanos, respeitando e sabendo que existem pessoas mais aptas e outras menos aptas para determinados esportes ou até mesmo tarefas do cotidiano, mas que estas também devem ter acesso aos desportos ou a outras coisas que lhe são de direito. Com a vitória e com a derrota, respeitando o derrotado e compreendendo que nem sempre a vida é feita só de vitórias, que às vezes é necessário algumas perdas para novos aprendizados e futuras conquistas, com a cooperação em grupo, seja ajudando sua equipe em uma determinada atividade, ou até mesmo no seu dia a dia, cooperando com o próximo, entre outros aspectos que a competição quando voltada para o social pode desenvolver nos educandos.       
        Essa forma de entendimento sobre a competição pode ser englobada em todos os conteúdos desenvolvidos nas aulas de Educação Física Escolar.
         O professor em suas aulas deve sempre levar em consideração a “relevância social do conteúdo” (COLETIVO DE AUTORES, 1992) que faz com que o mesmo “entenda o sentido e o significado dos conteúdos que deverão estar vinculados a explicação da realidade social concreta e oferecer subsídios para a compreensão dos determinantes sócios-historicos do aluno” (IBIDEM). A Educação Física deve e pode transmitir aos alunos todos os conceitos acima citados e também de uma forma que muito se vêm comentando nas Escolas e em debates sobre a Escola, a interdisciplinaridade. A Educação Física pode através do movimento ajudar no aprendizado da leitura, da matemática, ciências, história, etc. Porém não podemos esquecer dos aspectos inerentes a Educação Física e que devem ser desenvolvidos nos educandos, nas aulas, tais como: valências físicas, coordenação, socialização, cooperação, ética, entre outros.
Conforme o coletivo de autores:
 A expectativa da Educação Física Escolar, que tem como objetivo a reflexão sobre a cultura corporal, contribui para a afirmação dos interesses de classe das camadas populares, na medida em que desenvolve uma reflexão pedagógica sobre valores como solidariedade substituindo individualismo, cooperação confrontando a disputa, distribuição em confronto com apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos – a emancipação -, negando a dominação e submissão do homem pelo homem. (p.40).
 
 
 
 
 
2.3 ALGUMAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
        O sub-item tem por objetivo apresentar as diversas abordagens pedagógicas da Educação Física Escolar, fazendo uma comparação entre as mesmas e buscando uma base teórica mais sólida para o presente estudo.
        Durante a década de 1980, a resistência à concepção biológica da Educação Física, particularmente no Ensino Fundamental, levou à crítica em relação ao predomínio dos conteúdos esportivos. Essa foi influenciada por pesquisas no campo pedagógico e na área cientifica da Educação Física, concebida como disciplina acadêmica, bem como por todas as informações disponíveis para os alunos de pós-graduação desde que o Governo Militar “abriu” os limites da política, cessando as atividades de censura. Posteriormente, naquela mesma década, a democracia iria prevalecer de maneira consistente e eleições presidências aconteceriam em 1989.
        Assim, em oposição à vertente mais tecnicista, esportivista e biológica, surgem novos movimentos na Educação Física escolar a partir, especialmente, do final da década de 70, inspirados no novo momento histórico social por que passaram o País, a educação e a Educação Física.
        Atualmente, coexistem na área da Educação Física várias concepções, todas elas tendo em comum à tentativa de romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional.
 
2.3.1 ABORDAGEM PSICOMOTORA
        Apenas nos últimos anos da década de 1970, a educação psicocinética tornou-se relevante em alguns programas de Educação Física escolar. Também conhecida por educação psicomotora ou psicomotricidade, essa posposta foi divulgada inicialmente em programas de escolas especiais para alunos portadores de necessidades especiais.
        A psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que surge a partir da década de 1970, em contraposição aos modelos anteriores. Nele, o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores, buscando garantir a formação integral do aluno. Na verdade, essa concepção inaugura uma fase de preocupações para o professor de Educação Física, que extrapola os limites biológicos e de rendimento corporal, passando a incluir e valorizar o conhecimento de origem psicológica.O autor que mais influenciou esse pensamento no nosso país foi o francês Jean Le Bouch. Mesmo antes da tradução das suas primeiras obras, alguns estudiosos tomaram contado com suas idéias em outros paises da América Latina, freqüentando cursos e mantendo contatos pessoais.
 
2.3.2 ABORDAGEM DESENVOLVIMENTISTA
        O modelo desenvolvimentista foi dirigido inicialmente para crianças de 4 a 14 anos, buscando, nos processos de aprendizagem e desenvolvimento, uma fundamentação para Educação Física escolar. Segundo seus principais autores (TANI et al., 1998), é uma tentativa de caracterizar a progressão normal do crescimento físico, do desenvolvimento fisiológico, motor, cognitivo e afetivo-social na aprendizagem motora, e em função dessas características, sugerir aspectos relevantes para a estruturação das aulas.
        Os autores dessa abordagem defendem a idéia de que o movimento é o principal meio e fim da Educação Física, garantindo a especificidade do seu objeto. Sua função não é desenvolver capacidades que auxiliem a alfabetização e o pensamento lógico-matemático, embora isso possa ocorrer como um subproduto da práticamotora. Alem disso, a proposta também não é buscar na Educação Física solução para todos os problemas sócias do país, com discursos que não dão conta da realidade.
 
2.3.3 ABORDAGEM CONSTRUTIVISTA-INTERACIONISTA
        A proposta construtivista-interacionista apresenta um discurso cada vez mais presente nos diferentes segmentos do contexto escolar, opondo-se à proposta mecanicista da Educação Física, que é caracterizada pela busca do desempenho máximo, de padrões de comportamento, sem considerar as diferenças individuais e as experiências vividas pelos alunos, com o objetivo de selecionar os mais habilidosos para competições esportivas.
        O construtivismo na área de Educação Física tem o mérito de considerar o conhecimento que o aluno previamente já possui, resgatando sua cultura de jogos e brincadeiras. A abordagem busca envolver essa cultura no processo de ensino - aprendizagem, aproveitando as brincadeiras de rua, os jogos com regras, as rodas cantadas e outras atividades que compõem o universo cultural dos alunos. O jogo tem papel privilegiado nessa proposta, considerado seu principal conteúdo, porque, enquanto joga ou brinca, a criança aprende em um ambiente lúdico e prazeroso.
 
2.3.4 ABORDAGEM CRÍTICO-SUPERADORA.
        Essa proposta tem representantes nas principais universidades do país e apresenta um grande número de publicações na área, especialmente em periódicos especializados. A proposta critico-superadora (SOARES et al., 1992) utiliza o discurso da justiça social como ponto de apoio e é baseada no marxismo e neo-marxismo, tendo recebido na Educação Física grande influencia dos educadores José Carlos Libâneo e Demerval Saviani. Eles levantam questões de poder, interesse, esforço e contestação. Acredita que qualquer consideração sobre a pedagogia mais apropriada deve versar não somente sobre questões de como ensinar, mas também sobre como elaborarmos conhecimentos, valorizando a questão da contextualização dos fatos e do resgate histórico. Essa percepção é fundamental na medida em que possibilitaria a compreensão, por parte do educando, de que a produção da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longo do tempo.
        Quanto à seleção dos conteúdos para as aulas de Educação Física, os adeptos da abordagem propõem que se considere a relevância social dos conteúdos, sua contemporaneidade e sua adequação às características sócias e cognitivas dos alunos. Para organização do currículo, ressaltam que é preciso fazer com que o aluno confronte os conhecimentos do senso comum com o conhecimento cientifico, para ampliar o seu acervo de conhecimentos.
 
2.3.5 ABORDAGEM CRITICO-EMANCIPATÓRIA
        A abordagem critico-emancipatória (KUNZ, 1994) é um dos desdobramentos da tendência crítica e valoriza a compreensão crítica do mundo, da sociedade e de suas relações, sem a pretensão de transformar esses elementos por meio escolar. Assume a utopia que existe no processo de ensino e aprendizagem, limitado pelas condicionantes capitalistas e classistas, e se propõe a aumentar os graus de liberdade do raciocínio crítico e autônomo dos educandos. Do ponto de vista das orientações didáticas, o professor confronta, num primeiro momento, o aluno com a realidade do ensino.
        Kunz defende o ensino critico, pois é a partir dele que os educandos passam a compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados da sociedade, os mesmos que formam falsas convicções, interesses e desejos. Assim, a tarefa da Educação Física critica é promover condições para que essas estruturas autoritárias sejam suspensas e o ensino encaminhado para uma emancipação, possibilitada pelo uso da linguagem, que tem papel importante no agir comunicativo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPITULO III
A PESQUISA
 
 
3.1 METODOLOGIA
        O seguinte estudo teve por objetivo verificar qual o papel da Educação Físicas nas instituições públicas municipais do bairro. O estudo foi baseado em entrevista com os alunos, professores e observações. Três questões principais nortearam o estudo: Analise das estratégias utilizadas pelos professores de Educação Física nas turmas de 3° ciclo de formação e quais as principais respostas para estas estratégias. Descobrir quais relações existem entre a valorização do professor de Educação Física e seu trabalho na Escola e verificar até que momento uma Educação Física voltada para performance pode ser aproveitada pelos educandos dentro do ambiente escolar. Baseado nestas questões, na analise dos questionários e observação das aulas o estudo pode definir melhor um perfil sobre a Educação Física nas instituições municipais de Pedra de Guaratiba.
        O estudo foi realizado nas escolas públicas municipais do bairro de Pedra de Guaratiba, escolas estas, localizadas no centro do bairro, não se expandindo a outras localidades da região. O período da realização do estudo foi o primeiro semestre de 2008 e estendendo-se até o fim do estudo com término no segundo semestre de 2008. Após a seleção da amostragem, foram aplicados questionários (amostragem 1 e 2) e relatadas aulas observadas durante o período do estudo (amostragem 2). Em seguinte, foi feito o tratamento dos dados através de gráficos que nos permitiu traçar um perfil do papel da Educação Física no bairro.
   
 3.1.1 AMOSTRAGEM
        Amostragem 1 – Educandos do 3º ciclo de formação regularmente matriculados, no mínimo, há dois anos nas Unidades escolares participantes do estudo.
       Amostragem 2 – Professores de Educação Física estatutários, no mínimo, há dois anos nas Unidades Escolares participantes do estudo.
       Local do estudo – Unidades Escolares municipais que possuem 3° ciclo de formação e se localizam no centro de Pedra de Guaratiba.
 
3.1.2 COLETA DOS DADOS
       Os dados foram coletados através de: questionário 1 (anexo I), aplicados a amostragem 1;
                                                                   questionário 2 (anexo II), aplicado a amostragem 2;        
                                                
3.1.3 TRATAMENTO DE DADOS
       Os dados do estudo foram tratados através de gráficos que facilitam a visualização das respostas obtidas nos questionários bem como a influência que a Educação Física Escolar exerce em relação aos jovens da região; pontos comuns e divergentes observados no estudo, possibilitando assim, traçarmos o papel da Educação Física Escolar nas escolas públicas Municipais de Pedra de Guaratiba.
       As instituições analisadas foram aquelas que possuem turmas do 3° ciclo de formação. As instituições foram as seguintes:

Instituição Publica Municipal
Escola Municipal Emma D’Àvila de Camillis
Escola Municipal Gastão Ranchel
Escola Municipal Myrthes Wenzel
Escola Municipal Deborah Mendes de Moraes

 
 
3.2 ANALISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
        Os dados do estudo serão discutidos nos tópicos que se seguem, estes serão divididos por assuntos, e serão explicitados os resultados do estudo baseados nas entrevistas com os professores e os educandos das Unidades Escolares do bairro.
 
3.2.1 A RESPEITO DOS PROFESSORES ENTREVISTADOS
        Os critérios para escolha dos professores entrevistados foram os seguintes: Atuar nas Unidades Escolares localizadas no centro de Pedra de Guaratiba e que dessem aulas para o 3º ciclo de formação. O número total de professores entrevistados foi de seis e os dados sobre o tempo de atuação na rede pública de Pedra de Guaratiba e anos de funcionalismo público serão explicitados através dos gráficos a seguir:
 
 
 
 
 
Gráfico 1: Anos de atuação na rede municipal de Pedra de Guaratiba
Gráfico 2: Anos de atuação no magistério
                  
 3.2.1.1 SOBRE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO                          
        Quando questionados se os mesmos baseavam-se no Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar as respostas foram bastante heterogêneas, alguns acham esse tipo de planejamento “utópico”, outros utilizam parcialmente os mesmos para planejar suas ações pedagógicas. Segundo Bracht (1992) “a Educação Física, em se realizando na instituição educacional, presume-se, assume o estatuto de atividade pedagógica e, como tal, incorpora-se aos códigos e funções da própria escola”. Portanto, é de suma importância o professor utilizar-se do planejamento da unidade, para com isso poder atuar de forma integral nos educandos, não desenvolvendo apenas o “esporte na escola” (BRACHT,1992), e sim desenvolver o “esporte da escola”(IBIDEM) como citou o entrevistado nº 01:
         “Sim, eu me baseio no projeto político pedagógico da escola, trazendo para a “sala de aula” o tema escolhido e desenvolvendo-o sob o ponto de vista da cultura corporal”.
 
3.2.1.2 SOBRE AS ESTRATÉGIAS DE ENSINO UTILIZADAS NAS AULAS
        Em relação a este aspecto, as respostas dos professores entrevistados foram bastante semelhantes: todos alegaram que utilizam um planejamento participativo, onde todos os educandos elegem as atividades ou desportos que se identificam.
        Conforme o entrevistado nº 02:
        “Utilizo do planejamento coletivo, aulas praticas, co-participação nas decisões, mediação do aprendizado de forma lúdica, baseados na abordagem Crítico-Social dos Conteúdos”.
 Porém, todos também disseram que as outras atividades que os alunos menos se identificavam também eram desenvolvidas, mostrando aos mesmos outras possibilidades de atividades ou desportos.
        Quando questionados sobre a intenção desse planejamento participativo, estes, alegaram que desta forma o educando pode desenvolver sua autonomia e com isso seu direito de escolha.
Todos também disseram que após as escolhas e o exercício de autonomia e democracia que estas escolham levam, as aulas eram desenvolvidas de forma a respeitar os saberes dos educandos, e que foram construídos através de diversas formas ao passar dos anos e em diversos locais, inclusive no ambiente escolar.
        Conforme Freire (1996):
Por isso mesmo pensar certo coloca ao professor ou, mais amplamente, à escola, o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os da classe populares chegam a ela, saberes socialmente construídos na pratica comunitária. (p.30)
 
3.2.1.3 SOBRE A VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA UNIDADE ESCOLAR
        Sobre esse ponto as respostas foram bastante diversificadas. Em algumas unidades escolares a Educação Física tem papel importante e é vista como uma disciplina curricular como as outras, como cita um dos professores entrevistados:
       Conforme o entrevistado nº 03
        “A educação física na unidade não só é respeitada, como incentivada. Ela ocupa um papel importante no cotidiano escolar, onde a cultura corporal e a pluralidade das formas de expressão corporal são como já havia falado, incentivadas e respeitadas”.
        Este mesmo professor, que citou a valorização e o incentivo da Educação Física na Unidade Escolar onde leciona, alegou que com estes fatores aliados às condições físicas e materiais, consegue realizar seu trabalho de forma satisfatória, segundo sua própria opinião.
       Em contra partida alguns professores alegaram que a Educação Física nas Unidades Escolares onde lecionam não eram valorizadas o suficiente, a seguir o registro da fala do entrevistado nº 04:
       “Acredito que a direção da Unidade vê a Educação Física como um complemento e não como uma disciplina propriamente dita, embora já tenha melhorado bastante o seu olhar com relação à atividade”.
        Essa falta de incentivo, leva a uma falta de condições materiais e físicas das Unidades Escolares, fazendo com que as aulas percam em qualidade.
        Outro aspecto determinante também é a não valorização da Educação Física por parte dos outros professores de outras disciplinas das Unidades Escolares, como citou um destes. Isto, em minha opinião, “atrapalha” devido ao fato destes mesmos professores passarem para seus alunos que as aulas de Educação Física servem somente como um momento de “desperdiçar energia” e de descanso e de tomar um “cafezinho”, como cita um dos professores. Uma tanto e quanto de falta de ética, pelo menos.
       Segundo o entrevistado nº 05: “os professores pensam a Educação Física como um local de recreação para os alunos, onde se possibilita o dispêndio de energia, um momento em que eles, os professores de turma, podem ficar “à toa”.
 
 3.2.1.4 SOBRE OS JOGOS ESTUDANTIS DA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO
        Ainda nessa perspectiva sobre o “esporte da escola e na escola”, na visão já referida anteriormente de Bracht (1996), os professores entrevistados foram questionados sobre os Jogos Estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro, da seguinte forma: Se a Unidade Escolar participava dos jogos e de que forma os jogos eram desenvolvidos com os educandos.
       Segundo a Secretaria Municipal de Educação, Coordenação Geral dos XVIII Jogos Estudantis(2008) os objetivos dos jogos estudantis são os seguintes:
*Difundir a prática do esporte com fins educativos;
*Situar a escola como centro cultural, esportivo e formativo da comunidade;
*Contribuir para a formação e aproximação dos seres humanos, reforçando o desenvolvimento de valores como o respeito, a ética, a solidariedade, a responsabilidade e a cooperação;
*Promover a integração entre alunos, professores e diretores das diferentes Coordenadorias Regionais;
*Valorizar as atividades grupais como forma de fortalecimento das relações sociais;
*Possibilitar aos alunos a descoberta de seus limites e potencialidades.
        Assim como em relação ao Projeto Político Pedagógico, as respostas foram bastante heterogêneas. Das quatro escolas visitadas, duas não participavam dos jogos estudantis. O entrevistado nº 06 não participa segundo ele: “devido ao fato dele não concordar de se fazer da Educação Física escolar um fazer pedagógico voltado para o esporte de competição”.
       Já com o entrevistado nº 04, que também não participa dos jogos a fala é a seguinte:
       “A Unidade não participa devido à falta de tempo para treinamento e também à falta de materiais para se dar esse treinamento”.
       Em contrapartida os professores que participavam com sua Unidade Escolar dos jogos justificaram sua participação com as seguintes falas:
a)“A Unidade Escolar participa dos jogos e eu procuro trabalhar a importância da participação nos jogos, tomando por eixo norteador a inclusão social e a ampliação dos horizontes, sem enaltecer a competição nem a superação individual. Busco a cooperação e o espírito de equipe” entrevistado nº 01.
b)“Procuro através dos jogos estudantis, desenvolver nos educandos uma consciência crítica sobre os desportos e também a sociabilização dos mesmos” entrevistado nº 03.
 
        Conforme Bracht (2007):
 A escola, como instituição social, pode produzir uma cultura escolar de esporte que, ao invés de reproduzir as práticas de esporte hegemônicas na sociedade, estabeleça com elas uma relação de tensão permanente, num movimento propositivo de intervenção na história cultural da sociedade. (p.4)
 
3.2.2 - À RESPEITO DOS ALUNOS ENTREVISTADOS:
        Foram entrevistados 80 educandos das Unidades Escolares Municipais de Pedra de Guaratiba, selecionados de acordo com os critérios pré-estabelecidos no item 3.1 do presente estudo, com o objetivo de verificar se existe e qual é o grau de influência que os professores de Educação Física exercem sobre os educandos. Para isso foi utilizado o questionário que seque no anexo 2.
 
Gráfico 3: Distribuição dos educandos pelo 3º ciclo de formação
 
        Durante as entrevistas ficou nítido que as atividades de preferência dos educandos está estreitamente vinculada às realizadas com maior ênfase pelo professor. Em alguns casos, o que já é de preferência dos alunos antes mesmo das aulas, como o futebol, por exemplo, exacerba-se com a falta de interesse do professor em propor novas experiências e promover a descoberta de novas possibilidades corporais. Neste caso, as aulas de Educação Física transformam-se em reprodução “organizada” por um adulto, do que acontece nas ruas ou um centro de treinamento de alto rendimento. Segundo Bracht (1992) “O professor passa a professor-treinador e o aluno a aluno-atleta, uma vez que falta uma definição do papel do professor de Educação Física.”
        Em relação às atividades que os educandos das unidades escolares de Pedra de Guaratiba, 60% citaram o futebol como a atividade que mais gostava na escola, 30% citaram o handebol e 10% outras atividades, tais como: atletismo, voleibol, basquetebol, queimado, pular corda, entre outros.
Gráfico 4: Distribuição das atividades pela escolha dos educandos
 
        O caso do futebol ser o esporte mais citado se justifica pela grande difusão em nosso país deste esporte, passando a ser considerado por alguns uma “religião”. Já os outros esportes, segundo relato dos professores são desenvolvidos conforme a disponibilidade física e material da Unidade Escolar e “vontade” dos educandos.
        Segundo Betti (2006):
O esporte tornou-se nas últimas décadas o conteúdo hegemônico das aulas de Educação Física, porém apenas algumas modalidades esportivas são eleitas pelos professores [...] Não há mal algum nisso, desde que possa haver oportunidades para o conhecimento de novas práticas, e o indivíduo tenha opção de optar. (p.72)
 
        Quando perguntados sobre como a Educação Física poderia contribuir para sua vida fora do ambiente escolar, as respostas foram bastante similares. Os educandos explicitaram o fato da Educação Física “ajudar” os educandos a adquirirem hábitos saudáveis e qualidade de vida.
        Transcrição da fala de alguns alunos:
        “As aulas de Educação Física podem me ajudar a emagrecer e evoluir o corpo”. Juliana de Sousa Barbosa, 12 anos, 7º ano do ciclo, Escola Municipal Emma D’Àvila de Camillis.
       “Com as aulas de Educação Física eu posso me tornar um professor de Educação Física e ter uma saúde melhor”. Débora, 15 anos, 8º ano do ciclo, Escola Municipal Myrthes Wenzel.
        Sobre estas citações dos educandos podemos levar em consideração a corrente da Educação Física conhecida como Higienista ou sendo mais contemporâneo, Saúde Renovada, sendo está diferenciada da Concepção Higienista devido ao caráter da não-exclusão, produto do pensamento liberal que no inicio do século XX acreditou na educação, e particularmente na escola, como redentora da humanidade.
 
 
 
Conforme Ghiraldelli (2004):
“Para tal concepção, cabe a Educação Física um papel fundamental na formação de homens e mulheres sadios, fortes e dispostos à ação. Mas do que isso, a Educação Física Higienista não se responsabiliza somente pela saúde individual das pessoas. Em verdade, ela age como protagonista num projeto de assepsia social. (p.17).
 
        Outros educandos relacionaram o fato do esporte dentro da escola fazer dos mesmos atletas de alto nível, fato que se explica através da observação de algumas aulas, o desenvolvimento exacerbado da técnica, educativos buscando padrões de movimentos e exclusão dos menos hábeis fazem das aulas quase um treinamento de equipes, esquecendo com isso a real função dos esportes na escola, que seria a utilização dos esportes ou outras atividades como ferramenta educacional.
       Transcrição da fala de alguns alunos
       “A importância da Educação Física é para quem quer ser um bom atleta, exercita as pernas e também para quem quer ser um jogador de futebol”. Juliana , 15 anos, 8º ano do ciclo, Escola Municipal Myrtes Wenzel.
       “A Educação Física contribui com o aprendizado do Handebol, se eu for uma atleta profissional a Educação Física vai fazer eu saber muitas coisas.” Natalia, 15 anos, 8º ano do ciclo, Escola Municipal Myrtes Wenzel.
      “Com a Educação Física eu posso der um bom atleta”. Bernardo, 14 anos, 8º ano do ciclo, Escola Municipal Myrtes Wenzel.
      “A Educação Física faz bem a saúde e talvez possa me ajudar a virar um atleta” Thayná, 11 anos, 7º ano do ciclo, Escola Municipal Emma D’Àvila de Camillis.
       Este tipo de abordagem pode ser considerada como sendo conteúdo da corrente Tecnicista ou Competitivista, bastante difundida nos anos 60-70. Praticamente, cria-se uma situação inédita: o desporto de alto nível subjuga a Educação Física tentando colocá-la como mero apêndice de um projeto que privilegia o treinamento desportivo.
Conforme Ghiraldelli (2004):
A Educação Física competitivista também está a serviço de uma hierarquização e elitização social. Seu objetivo fundamental é a caracterização da competição e da superação individual de valores fundamentais e desejados para uma sociedade moderna. A Educação Física então volta-se, então para o culto do atleta – herói; aquele que a despeito de todas as dificuldades chegou ao podium. (p.20)
 
        Dentro desses aspectos técnicos, podemos considerar o aspecto da exclusão dos menos habilidosos e seleção dos mais habilidosos. A Educação Física escolar deve sempre incluir todos os alunos nas atividades, evitando propostas onde poucos sejam capazes de realizar. Como conseqüência de aulas extremamente técnicas e excludentes alguns alunos citaram nas entrevistas que não se sentem motivados a realizarem as atividades propostas pelos professores. Já em contra partida, educandos com maior habilidade em algumas atividades citam que os alunos se auto-excluem das atividades.
        “Eu não acho que as atividades excluem os menos habilidosos. Eu acho que eles é que não se interessam pelas atividades” Natália, 12 anos, 7º ano do ciclo, Escola Municipal Emma D’Àvila de Camillis
        Observando as aulas nota-se que as atividades esportivas, que exigem habilidades específicas, tais como o passe no futsal, o saque no voleibol ou o arremesso no handebol tendem a excluir aqueles que não dominam estes fundamentos.
        Devido a esse fato, o professor em seu planejamento deve privilegiar atividades em que todos tenham habilidade mínima para a realizarem, ou proporcionar recursos para que o educando desenvolva tais habilidades básicas para posterior realização das atividades propostas.
       Segundo Kunz (1991) esquece-se que o esporte não é um fenômeno natural e sim, fruto da sociedade industrial moderna, reproduzindo, portanto, o proposto por esta sociedade no tocante às ideologias e à imagem de homem. Sendo repassado nas escolas, é aceito como um saber inquestionável e evidente, sem transformações didáticas que o possam problematizar, tomando o individuo autônomo e capaz de competência social, um ser sujeito de sua ação.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPITULO IV
       CONCLUSÃO
 
 
4.1 RESPOSTAS AS QUESTÕES ABORDADAS NO ESTUDO.
        Visto o exposto, e buscando a todo o momento responder as questões que giram em torno dos seguintes eixos:
(1) influência da Educação Física no dia a dia dos educandos;
(2) a relação entre um “bom” trabalho na escola e a valorização e incentivo por parte da direção da Unidade Escolar e dos professores;
 (3) até que momento a Educação Física voltada para performance ou estritamente de caráter técnico pode ser desenvolvida nas Unidades Escolares de Pedra de Guaratiba - responderei abaixo as questões propostas no início deste estudo.
 
4.1.1. CONCLUSÕES À RESPEITO DA INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DIA A DIA DOS EDUCANDOS.                               
        Sobre este tópico o estudo deve como conclusões os seguintes resultados: A Educação Física nas Unidades Escolares de Pedra de Guaratiba, baseado nas entrevistas com os professores e alunos e em bibliografias que comprovam as respostas, tem grande influência na vida dos educandos, tanto em aspectos relacionados à expectativa dos educandos em se tornarem atletas, em relação à saúde dos mesmos fora do ambiente escolar e como citaram os próprios educandos “para quem deseja ser um professor de Educação Física”. Fato este que é positivo para a própria Educação Física, fazendo com que a mesma tenha sua importância reconhecida pelos educandos e dentro do ambiente escolar.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 5: Influência da Educação Física na vida dos educandos
 
4.1.2. CONCLUSÕES À RESPEITO DA INFLUÊNCIA DOS TERMOS INCENTIVO E VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA REALIZAÇÃO DE UM “BOM” TRABALHO.
        O estudo teve para esse tópico a seguinte resposta: Segundo os professores entrevistados, os termos valorização e incentivo devem sempre estar interligados e abordados nas Unidades Escolares, tanto por parte da direção assim como pelos outros professores. Quando estes dois termos não “caminham” juntos, segundo os professores entrevistados, o trabalho na Unidade Escolar perde em qualidade e o professor a motivação para fazer um “bom” desenvolvimento das suas atividades. Quando questionados sobre o que entendiam sobre os termos valorização e incentivo em relação às aulas de Educação Física, estes relataram que o termo valorização está interligado ao reconhecimento da disciplina, e a sua importância no ambiente escolar e como um meio para poder fazer com que os educandos através das atividades físicas tenham um desenvolvimento total. Já a respeito do termo incentivo, os professores relataram que está inter-relacionado às boas condições físicas e matérias que a Unidade Escolar proporciona ao professor para realização da sua prática docente. Segundo os professores sem condições físicas e matérias os educandos perdem em vivência nas atividades, devido à limitação que essa falta de condições proporciona.
 
4.1.3. CONCLUSÕES SOBRE ATÉ QUE MOMENTO A EDUCAÇÃO FÍSICA VOLTADA PARA PERFORMANCE PODE SER DESENVOLVIDA NAS UNIDADES ESCOLARES DE PEDRA DE GUARATIBA.
        Sobre este tópico, as seguintes respostas foram encontradas: A Educação Física voltada exclusivamente para o treinamento de equipes e/ou para a busca do alto rendimento nas Unidades Escolares de Pedra de Guaratiba é visto pelos educandos como uma forma de através da prática desportiva conseguir uma ascensão social, tornando-se um atleta ou até mesmo um professor de Educação Física, como explica o tópico 4.1.1. do estudo. Porém, de encontro a esse treinamento nas aulas de Educação Física, temos como resposta a exclusão de alguns alunos, por não se sentirem motivados a participar das atividades propostas pelos professores, alegando que as mesmas estão em um grau de conhecimento que os educandos não possuem e que alguns professores não proporcionam as ferramentas básicas para a aquisição destes conhecimentos.
 
4.2. CONCLUSÕES FINAIS.
 
4.2.1 O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NAS UNIDADES PÚBLICAS MUNICIPAIS DE PEDRA DE GUARATIBA.
        Baseado na proposta inicial do estudo, que era explicitar o papel da Educação Física nas instituições públicas municipais de Pedra de Guaratiba, este trabalho mostrou que este perfil é bom. Temos a Educação Física inserida em todos as Unidades Escolares, algumas de uma forma bastante técnica, outras voltadas para a cultura corporal, porém em todas, a influência que a Educação Física tem sobre os educandos é bastante positiva e gera resultados.Digo isso, porque é fácil de se perceber educandos de Unidades Escolares de Educação Física de Pedra de Guaratiba praticando atividades fora da escola, de uma forma saudável e outros buscando sua ascensão social através do esporte, participando de treinamento em clubes, escolinhas ou em outros locais voltados para desporto de alto nível.
       Porém, o estudo foi além, a respeito da valorização e incentivo à Educação Física por parte do corpo docente das Unidades Escolares. Este,é bastante limitado, os espaços e os recursos materiais para prática nem sempre são os mais adequados e como o estudo abordou no tópico 4.1.2 isso pode influenciar o desenvolvimento das atividades por parte do professor.
       Espero que com este estudo motivar mais e mais professores, não só das Unidades de Pedra de Guaratiba, mas de outras comunidades a estudarem as peculiaridades destes locais e assim conseguirem desenvolver atividades dentro das simbologias, das características sócio-culturais de cada local e não reproduzindo atividades que nem sempre vão ao encontro dos interesses dos educandos.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
 
*BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Educação Física. Ministério da Educação/Secretária do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997,V.7.
 
*BRACHT, V., Educação Física e aprendizagem social, Porto Alegre: Magister, 1992.
 
*CAPARRROZ, F.E. , BRACHT,V., O tempo e o lugar de uma Didática da Educação Física, Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, vol .28, n.2, pp. 21-37.
 
*DAOLIO, J. Educação Física e o conceito de cultura, Campinas: Autores associados, 2004.
 
*FREIRE, J.B. Educação de corpo inteiro, São Paulo: Scipione, 1998.
 
*FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia, São Paulo: Coleção Leitura, 1996.
 
*MEDINA, J.P.S. A educação física cuida do corpo e... “Mente”, Campinas: Papirus, 1983.
 
*NEIRA, M.G. Educação Física: Desenvolvendo competências, 2. Ed. São Paulo: Phorte, 2006.
 
* VAGO,T.M., O esporte na escola e o esporte da escola, Revista Movimento, Rio Claro, vol. 3, n.5, pp. 1-17.
 
 
 * <http://www.rio.rj.gov.br/sme/index.php>. Acessado em: 13 nov. 2007.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO 1
QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES DAS UNIDADES PÚBLICAS MUNICIPAIS DE PEDRA DE GUARATIBA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questionário
 
 
Nome:
 Idade:
Unidade Escolar:
Tel. Contato:
E-mail:
Anos de atuação na rede pública:
Universidade em que se graduou:
Ano de Formação:
   1) Você atua em mais de uma Unidade Escolar no Bairro de Pedra de Guaratiba?
      ( ) Sim 
( ) Não
     Em caso de resposta positiva quais Unidades Escolares?
    
 2) Quais estratégias de ensino você utiliza em suas aulas de Educação Física?
        Caso atue em mais de uma Unidade Escolar e tenha estratégias diferentes,                             citar a(s) causa(s) dessa diferenciação.               
        3) Você se baseia no Projeto Político Pedagógico (PPP) da(s) Unidade(s) Escolar(es)     para elaborar suas estratégias de ensino? De que forma?
         4) Em sua opinião como a direção da escola vê a importância da Educação Física Escolar? Caso atue em mais de uma Unidade Escolar, explicitar as diferentes visões, caso ocorram.  
         5) E os outros professores, qual o visão deles sobre a Educação Física Escolar? Caso atue em mais de uma Unidade Escolar, explicitar as diferentes visões caso ocorram.                        6) Em sua opinião as condições físicas e materias da Escola suprem as necessidades das aulas de Educação Física?          
                 ( ) Sim
                 ( ) Parcialmente
                 ( ) Não
                Em qualquer das opções colocar Justificativa.              
          7) Suas turmas participam dos Jogos Estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro?
                ( ) Sim
                ( ) Não
               Em caso de resposta positiva, como você trabalha esse tipo de competição com seus alunos ( critérios de escolha dos alunos, horário dos treinos, etc.).
               Em caso de resposta negativa, explique a não participação.                  
 8) Em sua opinião, qual o papel da Educação Física nas instituições públicas do bairro de Pedra de Guaratiba, levando em consideração o público alvo deste bairro e suas necessidades?
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO 2
QUESTIONÁRIO APLICADO AOS EDUCANDOS DO 3º CICLO DE FORMAÇÃO DAS UNIDADES ESCOLARES PÚBLICAS MUNICIPAIS DE PEDRA DE GUARATIBA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
        
 
 
 
 
 
 
Nome:
 Idade:
Unidade Escolar:
Série:
Tempo que estuda na Unidade Escolar:
Tempo que estuda com o professor de educação física atual:
1)      Quais atividades das aulas de Educação Física você tem maior interesse? E quais você tem menor interesse? Porque?
2)      Das atividades que você citou como as mais interessantes, você as pratica fora da escola?
( ) Sim
( ) Não
Em caso de resposta negativa diga a causa de não pratica-la fora do ambiente escolar
3)      Você acha que as aulas de Educação Física podem contribuir para sua vida fora da escola? De que forma?
4)      Você acha que as atividades propostas pelo professor excluem os menos habilidosos das atividades? O que você pensa sobre isso?
5)      Você já teve a oportunidade de participar dos Jogos Estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro?
( )Sim
( )Não
6)      Como você vê os Jogos Estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro?
( ) Uma oportunidade de conhecer locais e pessoas diferentes;
( ) Uma competição sem objetivos;
(  ) Uma forma de competir com outras escolas por troféus e medalhas;
      Outras respostas: ___________________________________________________________
7)      Como você acha que seu professor trata os jogos estudantis?
8)      De que forma os Jogos Estudantis da Prefeitura do Rio de Janeiro pode contribuir para os educandos?
 
 
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