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SER ÁGUIA OU GALINHA - A ESCOLHA É SUA
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SER ÁGUIA OU GALINHA - A ESCOLHA É SUA

SER ÁGUIA OU GALINHA - A ESCOLHA É SUA

A águia e a galinha é um dos livros mais interessantes que já li. Seu autor é o nosso grande mestre de filosofia, teologia, espiritualidade e ecologia, Leonardo Boff.

Nele o mestre faz uma metáfora da condição humana, buscando inspiração numa velha história vinda da África. Seu autor é James Aggrey, um educador e político de Gana, pequeno país da África Ocidental, situado no Golfo da Guiné, entre a Costa do Marfim e Togo.

Leonardo Boff inicia a história dizendo, com sua grande sabedoria, que a libertação começa na consciência, no resgate da dignidade e da auto-estima, se efetivando na prática histórica. Fala da consciência da ancestralidade e do orgulho que o povo ganense tem de sua história e da nobreza de suas tradições. Termina dizendo que toda a colonização - seja ela antiga, pela invasão de territórios, seja ela pela integração forçada no mercado mundial - significa sempre um ato de grandíssima violência. A imposição de uma nova cultura invasora que subjuga e destroi importantes culturas tradicionais, sua memória, suas tradições, seus valores, suas instituições e suas religiões.

A história que James Aggrey, político e educador, contou ao seu povo numa reunião de lideranças populares em 1925 é a seguinte:

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: - Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.

-De fato - disse o camponês. É águia, mas eu criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extenção.

- Não - retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

- Não, não - insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como uma águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que de fato você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra as suas asas e voe!

A águia pousou sobre o braço entendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá em baixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou: - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

- Não - tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurou-lhe: Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!

Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga: - Eu lhe havia dito, ela virou galinha!

- Não - respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.

Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico Kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E comessou a voar para o alto, voar cada vez mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento..."

E Aggrey terminou conclamando:

"- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos. Voemos como águias. Jamais nos contentaremos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar."

Com esta história o grande mestre basileiro nos ensina também que a vida é feita de escolhas; que o interior de cada um de nós nunca muda; que sempre estaremos prontos para encontrar nossos verdadeiros ideais. Depende de nós.

Nicéas Romeo Zanchett - artista plastico

http://semanadeartecarioca.arteblog.com.br

 

 
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