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A pobreza é a causa da violência?
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A pobreza é a causa da violência?

 

A POBREZA É CAUSA DA VIOLÊNCIA?

                                       *Evanira Costa – 2009

*Graduada em Turismo pela Fundação Visconde de Cairu – Salvador/Ba (2004), Especialista em Interpretação do Patrimônio com Comunidades (2005) e Pós graduanda em Perícia Criminal. Tem experiência projetos parlamentares, docência do ensino superior.  Possui ainda, pesquisas e trabalhos desenvolvidos nas áreas de Turismo e Interpretação do Patrimônio, Segurança Pública e Educação.

E-mail – tutora.senaspead@gmail.com

 

  CONSIDERAÇÔES INICIAIS

 

Notadamente, a Segurança Pública é um dos assuntos mais discutidos no âmbito nacional. Uma das razões para tanta evidência é a criminalidade e violência. Estas, já assumiram proporções gigantescas instalando uma atmosfera de medo e descrédito por parte da população junto no Sistema de Defesa Social.

A violência advém de um processo histórico e cultural. Avança na medida em que a sociedade se moderniza, assim, como disserta Costa, “[...] tal fenômeno pode ser entendido como fruto de uma política econômica destituída do compromisso ético em que a elite e o Estado, se furtam a resolver o problema da distribuição de renda e da prestação de serviços fundamentais para a vida humana.” (COSTA, 2005).

De certo que a vida moderna traz fortes implicações sociais alimentando um ciclo perverso cujas conseqüências culminam também no aumento dos índices de criminalidade, mas, por outro lado, impulsionada pela onda do consumismo, a sociedade encontra-se em vias de um colapso. Observa-se o imediatismo como estilo de vida, desgaste dos valores éticos e adoção de um comportamento inóspito e bárbaro, o qual abre precedentes para o seguinte questionamento: Será que a sociedade realmente evoluiu ou apenas mudou a maneira de conduzir sua barbárie?

Alguns especialistas atribuem as causas da violência e da criminalidade ao crescimento das cidades, aos grandes conglomerados urbanos. Todavia, se faz mister considerar que tal fenômeno já chegou ainda que em menor proporção nas pequenas localidades. Assim, cabe avaliar a interface da violência em seus múltiplos aspectos (violência urbana - armas, drogas, trânsito, violência policial e doméstica), considerando que esse ciclo se retroalimenta criando outros códigos simbólicos, atingindo fronteiras que vão além do factual e que a mesma se dá envolvendo variáveis dinâmicas e estruturas complexas.

 

AS IMPLICAÇÕES DO MODELO ECONÔMICO NO CENÁRIO SOCIAL

 

              Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA do ano de 2005 apontam que o País já alcança o patamar de quase 30 mortes para cada 100 mil habitantes, sendo que a maioria das vítimas são indivíduos entre 15 e 24 anos, aponta ainda, a desigualdade social e a pobreza como principal causa das mortes violentas entre os jovens. Atribui os impactos sociais e a prática de atos violentos a fatores como baixa renda, desejo de consumo, que por sua vez deixa a população desprovida de meios para se inserir na cadeia produtiva e de consumo, deixando principalmente os mais jovens vulneráveis a fatores de risco como o uso de drogas e envolvimento com o crime organizado.

 

           Os fatores acima elencados promovidos pelo sistema capitalista trazem implicações sócio-economicas, que agravam sobremaneira os índices de pobreza e subdesenvolvimento. Como preconiza o professor Rassier “A noção clássica de desenvolvimento em que o lucro advindo do sistema produtivo deve ser distribuído de forma equitativa, não se enquadra nas necessidades atuais, uma vez que na maioria das economias modernas o índice de crescimento econômico não condiz com a realidade vivida pela maioria da população”. (RASSIER, 2005).

               O imediatismo sócio-economico está gerando cada vez mais exploracão, pobreza, desigualdade e aumento dos indicadores de violência. Enquanto isso, a postura neoliberal do Poder Público transfere a responsabilidade da iniciativa privada a sua imputabilidade enquanto defensor dos interesses da comunidade assistida.

              

A POBREZA É MESMO A CAUSA DA VIOLÊNCIA?

 

 

O Brasil já está entre as nações mais violentas do mundo. São números atrelados a todas as formas de violência. Ultimamente, até os promotores da Segurança estão sendo atingidos pela onda de medo e insegurança. A população encontra-se atemorizada com a onda de terror que se instala em todos os lugares levando a camada mais privilegiada da população a adotarem certos comportamentos de defesa como se trancarem nos condomínios de alto luxo e na escolta particular. Enquanto que a camada menos privilegiada fica exposta ao lixo social que a polícia é ovacionada a recolher. Enquanto isso, as políticas públicas voltadas para a diminuição das assimetrias sociais são ineficazes, motivando investimentos na aparelhagem repressiva que em vez de atenuar eleva ainda mais os índices de violência e criminalidade.

 

            Como já fora mencionado anteriormente, a sociedade mudou e com ela os usos, os costumes e as leis. Hoje, o que a sociedade reconhece como crime pode ser perfeitamente justificável gerando um conflito entre a heteronomia dos valores sociais (pressão externa) e o aparelho policial X autonomia e vontade do sujeito (ética interior). Neste contexto, a violência deve ser avaliada em sua magnitude, levando em consideração variáveis sociais como: desestruturação familiar, desemprego, perda de valores morais e de civilidade, a corrupção (crimes de colarinho branco), dentre outras. Fazendo a transcendência das palavras de Roberto da Mata em sua obra Carnavais, Malandros e Heróis, fica difícil praticar a justiça em um país onde o ter ou não ter título, justificam a prática da ilicitude e da violência por parte de alguns.

 

O que a população espera do Poder Público é a promoção de uma condição de vida digna, a qual eleva a auto-estima do ser humano. Vale destacar que o resgate dos valores éticos, respeito a dignidade humana e solidariedade pode significar um bom início. Do contrario, perpetua-se a barbárie onde a evolução da humanidade passa a significar o passaporte para o medo e o pavor, para a supressão da liberdade tão desejada pelo ser social.

         Diante do exposto, faz-se necessário dizer que o modelo mental incutido ao longo dos anos induz ao paradigma de que basta ser pobre para estar propenso a criminalidade. De acordo com as considerações já feitas, fica patente a relação direta entre as diferenças sociais e a violência. Contudo, não se pode atribuir a violência apenas a condição de pobreza do ser humano ou justificá-la com um caso de extrema necessidade. Se assim o fosse, não haveria dignidade e honestidade entre as pessoas de classes sociais minoritárias. O ser violento é motivado pela ausência de esperança e de perspectiva social. Assim, de nada adianta o exclusivo reaparelhamento das polícias se não houver distribuição equitativa dos recursos produtivos em reestruturação socioeconômica que venha a implementar políticas públicas efetivas de incentivo ao emprego, educação e qualidade de vida das pessoas – reduzindo quem sabe a barbárie entre os seres humanos.

   

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

  • COSTA, Ivone Freire. Polícia e Sociedade: Gestão de Segurança Pública, Violência e Controle Social. Salvador: EDUFBA, 2005.

 

  •         DAMATTA, Roberto. Carnavais Malandros e Heróis: Para uma Sociologia do Dilema Brasileiro. Rocco, 1994.

 

  • DIAS, Genebaldo Freire. Iniciação a temática ambiental. São Paulo: Antropoceno, 2002.

 

  • RASSIER, José Carlos. Progresso para as Cidades Desenvolvimento para as Pessoas. Cidades em Revista. ano 1 n. 1.jul. 2005.

 

 

 

 

 
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