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ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO

TEXTO REGISTRADO CONFORME PROTOCOLO 006106 3/6

MINC FBN BIBLIOTECA NACIONAL ESC. DIREITOS AUTORAIS

PALÁCIO GUSTAVO CAPANEMA 31/MAR/2011

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE MATEMÁTICA

LANTE – Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino

 

 

 

 

 

ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO:

O PAPEL DAS INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS E OS RECURSOS DE DESDOBRAMENTO DE CONTEÚDO NO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO DA DISCIPLINA “INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA” DO CEDERJ

 

 

 

 

PATRICIA XAVIER QUILELLI ANTUNES

 

 

 

 

 

 

 

 

PARACAMBI/RIO DE JANEIRO

2010


 PATRICIA XAVIER QUILELLI ANTUNES

 

 

ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO:

O PAPEL DAS INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS E OS RECURSOS DE DESDOBRAMENTO DE CONTEÚDO NO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO DA DISCIPLINA “INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA” DO CEDERJ

 

 

Trabalho Final de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista Lato Sensu em Planejamento, implementação e gestão da educação a distância.

 

Aprovada em MÊS de ANO.

 

BANCA EXAMINADORA

 

 

______________________________________________________________________

Profº. Carlos Augusto Santana Pereira - Orientador

LANTE – UFF

 

______________________________________________________________________

Prof. Nome

Sigla da Instituição

 

______________________________________________________________________

Prof. Nome

Sigla da Instituição

 

 

Dedico este trabalho, à amiga Milla por sempre acreditar em mim

 

 

 

 

Agradeço aos Tutores Daniel Fabio Salvador e Cristiane Brasileiro Mazocoli Silva, da Universidade Federal Fluminense, por suas atuações inspiradoras durante o curso, nas quais desejo espelhar-me como profissional despertado em outras pessoas o mesmo prazer em aprender.

Também gostaria de agradecer ao Tutor Carlos Augusto Pereira, da Universidade Federal Fluminense da disciplina de Pré-orientação de Trabalho Final de Curso por sua ajuda inestimável para a realização deste trabalho.

"Fale, e eu esquecerei; Ensine-me, e eu poderei lembrar; Envolva-me, e eu aprenderei." (Benjamin Franklin)


RESUMO

 

 

 

Este trabalho tem como objetivo melhorar a qualidade dos materiais didáticos para educação à distância atualmente utilizados no Rio de Janeiro.  Descreve teorias pedagógicas aplicadas em material impresso, assim como analisa o emprego dos materiais periféricos.

Tratamos da análise das cinco primeiras aulas do módulo de Informática Instrumental do curso de graduação em Pedagogia do Consórcio CEDERJ, onde destacamos periféricos e analisamos criticamente a escolha e a disposição destes elementos, de forma a potencializar a aprendizagem do aluno.

O resultado encontrado través do desenvolvimento do presente estudo, mostra que a utilização dos textos periféricos interfere na qualidade da aprendizagem obtida pelo aluno e contribui diretamente para o sucesso de um curso à distância.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Palavras–chave: (Educação à Distância; Materiais Periféricos; Qualidade)

 

SUMÁRIO

 

Nº da página

1 – INTRODUÇÃO

06

      1.1 - Justificativa

07

      1.2 – Objetivo geral

07

      1.3 - Objetivo específico

07

      1.4 - Metodologia

07

     

 

2 – PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

09

 

 

3 –RESULTADOS E DISCUSSÕES: ANÁLISE DO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO

11

 

 

4 - CONCLUSÕES

25

 

 

5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

27

 



1 – INTRODUÇÃO

 

            Na EAD, o falar/ouvir síncrono é substituído pelo ler/escrever assícrono. Isso acarreta em os processos de ensino e aprendizagem passarem a ser mediatizados. O professor diante de seus alunos passa a ser substituído pelo material didático que elabora e pelo tutor que o representa no auxílio aos alunos.

            Um dos desafios contemporâneos da Educação a Distância (EAD) consiste na produção de materiais didáticos com conteúdos organizados para facilitar a construção do conhecimento do aluno, além do desenvolvimento de suas capacidades. Questões sobre como transmitir o modo de pensamento do professor estão relacionadas à preocupação de se encontrar maneiras originais para estabelecer comunicações didáticas valiosas para a construção do conhecimento (SOLETIC, 2001).

            Neste cenário, o aprimoramento da arquitetura da informação, entendida como a “organização estrutural da informação a ser oferecida” (RAMOS, RABELO E ABREU-FIALHO, 2009) parece ser o caminho mais provável por onde será possível encontrar as respostas necessárias ao desenvolvimento da EAD. As informações periféricas - por exemplo - podem ser recursos didáticos extremamente úteis ao aluno que enfrente dificuldades conceituais ao longo de seus estudos.

 

Elementos periféricos dão opção de navegabilidade para o aluno, pelo material didático. Assim o aluno percorre os núcleos conceituais, presentes no corpo principal do texto, e pode escapar para algum elemento periférico, se assim quiser ou se sentir a necessidade da informação adicional ali presente. (RAMOS, RABELO E ABREU-FIALHO, 2007, p1)

 

            Os elementos periféricos não condicionam um sentido único na leitura, proporcionando navegabilidade e interatividade do aluno com o material didático. Tais elementos, como o próprio nome diz, trazem informações periféricas, complementares, de desdobramento do texto principal. Portanto, são informações decorrentes do conteúdo principal e hierarquicamente não essenciais ao mesmo. As Caixas de Ênfase – por exemplo – servem para a memorização de informação contextualizada (RAMOS e RABELO, 2009).

            Conforme vimos em Barreto (2007), é desejável que as informações periféricas:

- expandam os núcleos conceituais da aula com conteúdos relevantes ao tema tratado;

- remetam o aluno para outras mídias (sites, livros, filmes etc.);

- alertem o aluno acerca de aspectos pontuais importantes no conteúdo;

- ofereçam curiosidades e/ou analogias relacionadas ao conteúdo da aula;

- estejam acompanhadas de recursos visuais.

            Os elementos periféricos não devem atrapalhar a fluidez do texto, mas sim ampliar sua agilidade. A característica de leitura facultativa permite que um leitor mais seguro dos conceitos ignore caixas, bem como permite ao aluno que tem mais dificuldade pausas e explicações adicionais que, certamente, melhoram seu desempenho. Assim, os dois perfis de alunos são atendidos no que é individualmente mais relevante (RAMOS e RABELO, 2009).

 

1.1 - Justificativa

 

            Em face da importância desse tema, torna-se relevante a compreensão dos fatores que permitem a produção de materiais didáticos com as características consideradas eficazes para a boa prática da educação à distância, pois a qualidade destes materiais influencia na aprendizagem do aluno, agindo como potencializador do bom desenvolvimento acadêmico.

            Considera-se que a utilização adequada dos elementos periféricos de um texto pode envolver o aluno de modo que desperte neste a vontade de continuar a leitura proposta e de buscar leituras correlatas, de acordo com a arquitetura da informação que lhe é apresentada nos materiais didáticos, o que reduz as taxas de evasão escolar, melhora o rendimento do aluno nos estudos o que prepara um bom profissional capacitado no futuro.

           

 

1.2 - Objetivo Geral

 

            O objetivo geral desta pesquisa é informar como produzir materiais didáticos impressos para educação a distância por meio de uma eficaz arquitetura da informação que utilize elementos periféricos.

 

1.3 - Objetivos Específicos

 

            Como objetivo específico, procuramos:

- mapear fatores que possam auxiliar na elaboração de elementos periféricos em materiais didáticos impressos.

 

1.4 – Metodologia

 

            Para trabalharmos a qualidade dos materiais didáticos utilizados em Educação à Distância, pretendemos analisar um texto didático impresso por meio de pesquisa que possua aspectos: exploratório por se basear na análise de conteúdos bibliográficos sobre a arquitetura da informação voltada a materiais didáticos impressos; e de estudo de caso em função dos procedimentos técnicos adotados para a sua execução.

            Essa pesquisa será baseada em pesquisa bibliográfica que indicará o enquadramento teórico necessário para o estudo de caso que, segundo Gil (2002), é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada em ciências sociais, consistindo no estudo de um ou poucos objetos com vistas a amplo e detalhado conhecimento sobre os mesmos.

            O método que utilizaremos no desenvolvimento deste projeto é a pesquisa e a análise das informações periféricasem uso no módulo I da matéria “Fundamentos da Educação I – História”, do curso de Licenciatura em Pedagogia oferecido pelo consórcio CEDERJ[1], no primeiro e segundo semestre de 2008.  

            Serão selecionados, aleatoriamente, exemplos de informações periféricas que se apresentam por intermédio dos recursos de desdobramento de conteúdo (caixa de ênfase; caixa de explicação expandida; caixa de dicionário; caixa de informação avulsa ou curiosidades e caixa de conexão com outras mídias) neste material. Esses recursos serão visualizados em nosso projeto através das páginas escaneadas onde os mesmos aparecem, para que se possa levar em consideração a contextualização destes recursos e não apenas a análise individual e isolada.

            Após a seleção dos exemplos, os mesmos serão analisados minuciosamente pelo grupo com base na bibliografia citada e nos conhecimentos adquiridos através do curso PIGEAD[2], onde serão feitos relatórios das análises das informações periféricas e dos recursos de desdobramento utilizados (agrupando-se os recursos do mesmo tipo), identificando e citando as características existentes em cada um dos tipos dos recursos citados, assim como as possíveis características que podem ser implementadas para o aperfeiçoamento desses objetos.

            Para atingir os objetivos deste TFC, foram analisadas as cinco primeiras aulas do módulo único de “Introdução à Informática”, utilizado nesta disciplina de mesmo nome, obrigatória dos primeiros períodos de todos os cursos de Licenciatura, oferecida na modalidade EAD através da Fundação CECIERJ, pelo consórcio CEDERJ, com autoria de Rodrigues, Carmem Granja S. e Soares, Elizabeth R.

 

2 - PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

 

            Na Educação a Distância, a concepção pedagógica a ser adotada como referencial para a elaboração do material didático deve promover a interação, a interatividade e a aprendizagem colaborativa, levando em consideração que todo processo de aprendizagem deve ser construído em sintonia com o desenvolvimento do ser humano. Segundo Villardi (2005), o material didático tem como objetivo principal “constituir-se no principal meio pelo qual as ‘mensagens didáticas’ que o educador constrói chegam aos alunos”. Para isso, é necessário explorar “os mais variados códigos, propiciando diferentes tipos de experiências cognitivas”.

A memória humana é estruturada de tal forma que nós compreendemos bem melhor tudo aquilo que esteja organizado de acordo com relações espaciais e o domínio de uma área do saber implica, quase sempre, a posse de uma rica representação esquemática. (LÉVY, 1993, p. 40)

 

            Dessa forma, os elementos periféricos podem propor vias de acesso e ferramentas de orientação em uma área do conhecimento sob a forma de diagramas, redes, organogramas, imagens ou mapas conceituais.

            Vasconcelos (2002) explica que “a estrutura de um texto pode ser planejada para permitir diferentes níveis de leitura, dependendo do estilo, do conhecimento prévio, do rigor teórico e das exigências de aprofundamento e detalhamento de cada leitor”. Esse autor sugere a construção de um corpo central para leitura mais fluida mesclado com o uso “de ‘caixas ou blocos de apresentação resumida’ de argumentos, temas ou hipóteses-chave de exemplos ou de casos ilustrativos”, lembrando que os boxes podem ser dispensados por leitores mais familiarizados com o assunto estudado.

 

[...] a realidade comporta sempre outros olhares, aprofundamentos e detalhamentos crescentes, bem como associações com outros fenômenos e abordagens. Entretanto, acentuar apenas essa característica é ser unilateral e resulta em criar um processo onipotente e sem fim, pois o mesmo paradigma enfatiza que toda abordagem da realidade depende de seu enquadramento, e enquadrar significa exatamente colocar limites para o nosso olhar. (VASCONCELOS 2002, p.261)

 

            A exploração das possibilidades de mediação pedagógica dos materiais didáticos impressos construídos com elementos periféricos pode ser um meio eficiente para promover a interação intencional e voltada para as atividades de ensino-aprendizagem. Para Landow (apud COSCARELLI, 2006) o hipertexto obviamente cria leitores mais capacitados, que têm mais condições de lidar tanto com o texto que leem quanto com os autores desses textos. O hipertexto aumenta a liberdade individual.

            Nielsen (apud COSCARELLI, 2006), aponta três instruções importantes para quem escreve materiais utilizando elementos periféricos: ser sucinto no texto dos boxes, escrever um texto que possa ser “escaneado”, ou seja, que o aluno localize a informação principal em pouco tempo e usar um elemento periférico para separar uma informação muito longa em várias páginas. Vamos verificar como isso ocorre nos materiais analisados.

            A “consistência de seqüência”, conforme Vasconcelos (2002), deve ser preservada dentro de um texto segundo os critérios freqüentes de cada área de conhecimento, como ocorre em ciências humanas e sociais:

 

O histórico (descrever os fatos e processos sociais na medida do desenrolar do tempo); o espacial e/ou geográfico (seguindo a distribuição espacial ou social do fenômeno); a dimensão (por exemplo, dos aspectos mais amplos para os mais particulares ou vice-versa); a lógica (dos determinantes para os resultados etc.); entre outros. (VASCONCELOS, 2002, p.269)

 

            Em outros termos, para Marcuschi e Xavier (2004), o material constituído com elementos periféricos não pode ser classificado como deslinearizado. Dentro de um contínuo de linearidade,

 

o hipertexto e a utilização de elementos periféricos apresentam maior distanciamento das formas tradicionais de hierarquizações por serem mais flexíveis na sua formatação visual e por colocar nas mãos do usuário um maior controle sobre a seleção das unidades de informação. (MARCUSCHI e XAVIER, 2004, p. 175)

 

            Ainda para os autores, “a explicação de todos os pormenores deixaria qualquer texto, por mais empolgante que fosse a temática abordada, muito desinteressante”.

            Apoiados em Lévy (1999), vamos buscar pistas que nos permitam categorizar os tipos de elementos periféricos e levantar informações quanto à forma, freqüência e pertinência. Avaliaremos se representam conhecimento novo ou anterior e se estão dispostos sob a forma de texto, imagem estática ou imagem dinâmica, além de outras informações.

            Com base em Marcuschi e Xavier (2004), buscaremos diferentes níveis de deslinearização do texto e que vantagens a utilização de elementos periféricos trazem para a construção do material didático e a aceitação deste.

 

3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES: ANÁLISE DO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO

 

Em todas as aulas do módulo único de “Introdução à Informática” é notória a presença de textos nucleares acompanhados de textos periféricos, fragmentando a leitura, proporcionando pequenas pausas para análise dos textos periféricos, com temas correlatos ao texto nuclear, bem como uma reflexão do conteúdo, tornando o módulo dinâmico e interativo para o leitor. Em todo texto nuclear pode ser observado o espaçamento de ½ entre linhas, o que facilita a leitura dos textos, pois a formatação proporciona o acompanhamento das linhas sem que o aluno se perca na leitura ou pule linhas involuntariamente no decorrer da leitura, o que pode causar mal entendimento do tema e desestimular os estudos devido às constantes paradas e retomadas ao texto principal.

Outra qualidade da formatação com este espaçamento entre linha é mantê-la presente na vida cotidiana do aluno de modo com que ele se habitue à formatação e a utilize em textos de sua autoria, uma vez que tal espaçamento é padrão nas regras da ABNT e por isso será cobrado na vida acadêmica do aluno, inclusive no trabalho final de curso.

Figura 3.1: Exemplo de formatação do material didático impresso (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.8).

Nas aulas analisadas se observa uma grande variedade de textos periféricos, como caixa de ênfase; caixa de explicação expandida; caixa de dicionário; caixa de informação avulsa ou curiosidades e caixa de conexão com outras mídias; caixa de apresentação resumida de argumentos, temas, hipóteses-chave, exemplos, casos, ilustrações; caixa de leitura facultativa. Alguns destes textos periféricos aparecem nas laterais dos textos nucleares, em caixas de texto representando colunas que têm em seu interior textos correlatos ao principal, acompanhados de ilustrações pertinentes ao tema.

No material analisado é muito comum a presença de textos periféricos localizados entre o texto nuclear, criando grandes cortes na leitura, de modo a chamar a atenção do leitor. Estes recursos estão geralmente grafados em elipses como balões de diálogo acompanhados de grandes sinais de interrogação ou exclamação, assim como ilustrações, criando pausas mais enfáticas e difíceis de terem as suas leituras dispensadas pelos alunos, devido à localização destes recursos. Podemos observar nos exemplos abaixo:

Figura 3.2: Exemplo de elementos periféricos no interior do texto nuclear (RODRIGUES E SOARES, 2008,p.10).

É observada também a presença de periférico parecido, também em elipses hachuradas em tamanho médio inseridas entre o texto nuclear, quebrando a continuidade da leitura, porém com a finalidade de dicionário. Além de grande sinal de interrogação que ilustra este periférico, ele conta também com a presença de foto que ilustra a caixa de dicionário agregando valor a mesma e potencializando a sua assimilação através da soma destas diferentes linguagens.

Os elementos periféricos da figura 3.2 utilizam duas elipses seguidas, ou seja, a mesma apresentação gráfica, o que cria uma repetição desnecessária do mesmo tipo de periférico. Tal recurso não traz novo visual ao leitor, o que desvaloriza, em parte, o primeiro periférico. O módulo seria mais bem estruturado de utilizasse ilustrações ou molduras diferentes para cada uma das informações. Assim criaria a sensação de novidade e de desconhecido ao aluno, motivando-o a avançar na leitura.

Observa-se também que tais periféricos ocupam quase uma página inteira do módulo e trazem apenas as explicações do termo “cultura de mídia”, e da palavra “máquina”. Tais estruturas ocupam muito espaço e o conteúdo destes periféricos seria melhor organizado em colunas laterais, o que ocuparia uma área menor. Uma alternativa seria posicioná-los separadamente e não de forma seqüenciada no texto. Assim, teríamos uma apresentação mais atrativa ao aluno e ao mesmo tempo uma economia de espaços, o que faria com que o módulos fosse menor, contendo menos páginas, além de mais econômico e de rápida impressão em se tratando da versão digital que pode ser impressa em casa ou no trabalho pelo aluno. Estas alterações não comprometeriam a qualidade do material didático.

Figura 3.3: Mais um exemplo de elemento periférico no interior do texto nuclear (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.11).

As caixas de dicionário também são encontradas quebrando a sequência do texto principal, sendo sua leitura dificilmente ignorada. São disponibilizados em quadrados hachurados de tamanho médio acompanhados de ilustrações mais detalhadas. Neste recurso há, além da palavra a ser apresentada e sua definição, também uma ilustração onde os objetos descritos são minuciosamente apontados com fácil identificação para o aluno.

Para facilitar esta identificação, utiliza-se, por exemplo, a ilustração de um computador comum, com as peças básicas utilizadas pelos alunos em casa ou o laboratório de informática da Universidade, com monitor, teclado, torre, impressora, mouse, o que aproxima o termo a ser definido (no exemplo da figura 3.4 o termo “Estabilizador”) à realidade do aluno, de forma contextualizada, o que potencializa o entendimento da mensagem. Esta gama de recursos se dá devido a característica técnica do termo a ser explicado. Assim, quanto mais técnico for o termo a ser definido, maiores serão os recursos utilizados para a sua definição na caixa de dicionário.

Figura 3.4: Caixa de dicionário do termo “Estabilizador”. (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.12).

Todavia, quando o termo, mesmo que técnico, for mais popular aos alunos, menores serão os recursos empregados pela caixa de dicionário, sendo esta mais simples, composta por pequena coluna hachurada disponibilizada na lateral do texto nuclear, o que dispensa sua leitura por alunos mais entrosados pelo tema, como podemos observar nas figuras 3.5, 3.6 e 3.7.

Figura 3.5: Caixa de dicionário do termo “Mousepad(RODRIGUES E SOARES, 2008,, p.15).

Figura 3.6: Caixa de dicionário dos termos “Arquivo” e “HD (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.18).

Figura 3.7: Caixa de dicionário do termo “URL(RODRIGUES E SOARES, 2008,, p.23).

Além de ser bem ilustrado, observou-se no material impresso a ponderação e o bom senso na utilização dos recursos periféricos. Variedade de linguagens como formas, ilustrações e tabelas são sempre bem vindas, mas, utilizadas em excesso, podem prejudicar a leitura do texto principal, fato este que não ocorre nas aulas da disciplina “Introdução à Informática”. Há casos onde a linguagem deve ser mais variada, como observamos na descrição de termos técnicos, de modo a potencializar a capacidade de compreensão do tema pelo aluno. Porém, este recurso deve ser poupado quando não há necessidade de sua utilização, de forma que esta variedade de linguagens não desenvolva um papel negativo através da sua banalização, que, além de poluir visualmente o texto quando utilizada desnecessariamente, pode fazer com que uma informação importante seja pouco valorizada pelo aluno, devido à adoção da mesma apresentação em todos os recursos. Esta ponderação ao utilizar ilustrações e disponibilizar recursos cria uma estratificação dos periféricos, criando níveis de importância para o aluno, que facilmente identificará sua categoria no decorrer do módulo.

Contudo, os periféricos apresentados nas figuras 3.5, 3.6 e 3.7, apesar de enxutos, poderiam vir acompanhados de pequenas ilustrações referentes ao assunto abordado, quando, por exemplo, tratamos de algo físico, como o mouse. Já no caso do arquivo e dos demais itens, poderiam ser adotados pequenos marcadores chamativos como setas, estrelas ou mesmo fontes mais dinâmicas e não apenas maiores e em negrito.

Os desenhos livres presentes no módulo formam periféricos importantes para este material, pois direcionam os alunos para o tema da referida disciplina que é informática Instrumental, que se faz imprescindível, uma vez que se trata de um curso na modalidade à distância, o que requer domínio das ferramentas básicas da informática pelos alunos para que estes saibam acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e suas ferramentas, como e-mail, fórum, calendários, mural de notícias, entre outros. A maior parte das ilustrações constantes neste módulo representa elementos que fazem referência ao mundo da informática, como peças de hardware (monitores, teclados, mouse, CPU, entre outros), onde podemos constatar nas figuras 3.8 e 3.9.

Figura 3.8: Imagem de um monitor (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.14).

Figura 3.9: Imagem de um teclado (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.15).

Também é constante a utilização de ilustrações referentes a softwares como telas de sistemas operacionais, de acesso gratuito, de forma a não fazer propaganda de sistemas pagos, o que universaliza o acesso dos alunos a estes materiais, além de constituírem algo comum aos alunos, conforme a figura 3.10.

Figura 3.10: Tela de apresentação do sistema operacional Linux utilizado no consórcio Cederj (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.19).

Outro recurso de linguagem utilizado pelos periféricos é a tabela. Há momentos no módulo onde há necessidade de comunicar o passo a passo da utilização de alguns elementos, como o mouse. No exemplo da figura 3.11, temos uma tabela com pequenas ilustrações de mouse na primeira coluna, onde se indicam os locais a serem pressionados através de setas apontadas para os botões do instrumento. Na coluna seguinte, seguem as nomenclaturas dos movimentos ilustrados anteriormente, seguidos por uma terceira coluna onde se observa a descrição de tais movimentos.

Figura 3.11: Descrição da utilização de um mouse (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.15).

Uma das qualidades das tabelas é que ela permite o ordenamento sistemático das informações, podendo conter imagens, números, nomenclaturas ou textos, onde estas são dispostas de modo a facilitar a visualização da informação que se pretende transmitir. Também pode ser utilizada para ordenamento de números estatísticos, em que estes podem ser apresentados com uma estética agradável a leitura e que facilite a sua interpretação através da disponibilização dos dados.

Também é comum a utilização de caixa de informação avulsa ou curiosidade, formada por pequenas colunas hachuradas disponibilizadas nas laterais do texto nuclear e acompanhadas de pequenas fotos, onde é trazida para o aluno a mini biografia de alguns personagens, composta por alguns parágrafos. Devido à localização mais deslocada do centro do módulo e do texto principal, a leitura destes periféricos se faz facultativa ao aluno, podendo esta ser descartada caso seu tema já seja conhecido. Podemos constatar a presença destes periféricos em relação a Manuel Castels, Charles Babbage, Linus Benedict Torvalds e Glauco, apresentados nas figuras 3.12, 3.13, 3.14 e 3.15, respectivamente.

Figura 3.12: Caixa de informação sobre Manuel Castells (RODRIGUES E SOARES, 2008,, p.9)

Figura 3.13: Caixa de informação sobre Charles Babbage (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.11)

Figura 3.14: Caixa de informação sobre Linus Benedict Torvalds (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.19)

Figura 3.15: Caixa de informação sobre Glauco (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.117).

Observa-se também outra forma de trazer uma mini biografia para o conhecimento do aluno, porém de forma mais resumida e utilizando outros recursos de linguagem. Estas outras biografias são formadas através de ilustrações de tamanho médio seguidas de suas descrições em pequenas colunas, localizadas entre o texto principal. Esta localização provoca pausas maiores na leitura, através da quebra do texto nuclear, e utiliza a linguagem do desenho, que é uma linguagem universal (Valdemarin, 2000), que possibilita o resgate de conhecimentos prévios do aluno sobre o que está representado, além da criação de idéias claras, potencializando a compreensão, como podemos observar nas figura 3.16 em que é representado os filósofos Platão e Sócrates.

Figura 3.16: Ilustração dos filósofos Platão e Sócrates (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.117).

Caixas de conexão com outras mídias são muito presentes neste material. Em geral são compostas por grandes elipses hachuradas e ilustradas com grandes pontos de interrogação presentes no meio do texto principal e compostas por subtextos médios, o que proporciona grande pausa, desenvolvendo uma leitura não linear. Tal apresentação agrega valor a estes periféricos, tornando mais difícil o seu descarte.

Estas caixas fornecem aos leitores endereços de sites na internet (ver um exemplo na figura 3.17) em que o tema da aula pode ser aprofundado através uma gama de textos sugeridos que, apesar de serem relativos ao tema trabalhado, distanciam-se mais do assunto proposto no texto nuclear, porém aproximando o aluno da realidade que ele encontrará em um curso EAD, em que necessitará ter domínio prático da informática de forma a ter capacidade de usufruir de todos os recursos disponíveis também no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este periférico sugere uma pausa maior nos estudos, onde o aluno tem a opção de deixar o módulo por instantes e buscar a prática sugerida por este no computador ou realizar tal tarefa posteriormente, em momento mais propício.

A utilização destes recursos pelo aluno potencializa os resultados do curso, pois proporciona a prática da informática através de atitudes autônomas desenvolvidas pelo leitor, o que busca substituir, em alguns momentos, o trabalho de um professor presencial em um laboratório de informática. Para enriquecer ainda mais a intenção deste periférico, é interessante que seja desenvolvido trabalhos seqüenciais como a participação dos alunos em fóruns virtuais ou salas de tutorias, onde podem ser trocadas experiências adquiridas através da utilização das sugestões feitas por estes periféricos.

Figura 3.17: Exemplo de indicação de um site sobre o conteúdo da aula (RODRIGUES E SOARES, 2008, p.20)

O módulo organiza os textos de forma harmônica, considerando as características psicossociais dos alunos, de forma a gerar uma leitura dialética que tem como objetivo potencializar a aprendizagem através da arquitetura da informação, criando momentos de pausa no texto principal quando necessário, direcionando o aluno a leitura de textos periféricos correlatos ao tema das aulas, criando um ambiente de aprendizagem equilibrado e harmônico. Há momentos em que o estudante é levado a realizar pausas maiores ou a buscar sites na internet, recurso este que faz com que o aluno tenha o computador como instrumento de estudo prático, o que facilitará a vida acadêmica nos acessos à plataforma, por exemplo, assim como na vida profissional, ao inserir as novas tecnologias para seus alunos, através da utilização de laboratórios de informática, ou mesmo ao confeccionar provas, testes ou trabalhos no computador.

4 - CONCLUSÕES

Através das pesquisas e análises concluímos que o material didático para educação à distância utilizam recursos de arquitetura de informações, porém alguns destes instrumentos poderiam ser melhores utilizados em alguns momentos visando à concentração do aluno na leitura além do uso racional dos espaços.

Esta utilização planejada dos espaços beneficia o aluno em vários momentos. Um deles é o primeiro contato com o material de estudo, o que muitas vezes se dá por meio digital, onde o aluno baixa o arquivo através da plataforma para imprimir o material – seja em casa ou no trabalho. Espaços mal utilizados geram um módulo muito longo formado por um excessivas laudas, o que leva o aluno a gastar mais tempo para terminar a impressão, além de elevar os gastos com papel e cartuchos de impressora tanto para este aluno, como para a instituição que disponibilizar o módulo já impresso.

Este primeiro momento em que ocorre a impressão não deve ser demasiadamente demorado, pois o aluno pode também perder o interesse pela futura leitura ou ter sua atenção desviada para outras tarefas que não ligadas ao estudo. O excessivo de páginas cria módulos volumosos e pesados o que atrapalha o transporte destes materiais pelo aluno, levando em conta que cada matéria pode utilizar até três módulos e que os cursos oferecem cerca de oito matérias por período. O total de livros a serem carregados pelos alunos do pólo para casa ou de casa para bibliotecas ou demais locais de estudo não é adequado e pode fazer com que os momentos de estudos não sejam agradáveis, mas sim incômodos.

Os textos que compõem os módulos devem utilizar materiais periféricos de forma racionalizada de modo que estes elementos sejam aliados dos alunos e atuem como potencializadores da aprendizagem.

Os textos periféricos tem papel importante principalmente na otimização do tempo nos estudos, pois as caixas de dicionário, quando bem empregadas reduzem as paradas em busca do dicionário, o que fixa a atenção do aluno no tema da aula e impede desvios de atenção que podem ser causados pelas recorrentes paradas nas leituras durante os momentos de estudo. Este fator faz com que o estudante tenha estudos com mais qualidade e concentração, aumentado o aprendizado em menos tempo.

A atenção e o interesse dos alunos devem ter manutenção constante e para isso os periféricos devem ser utilizados com critério, evitando-se sua utilização sem necessidade, assim como repetitivas aparições do mesmo tipo de periférico, o que pode não ser interessante para o aluno e causar desmotivação.

Por fim, os recursos da arquitetura das informações quando bem empregados tendem a reduzir as taxas de evasão dos cursos à distância, assim como podem formar profissionais qualificados dentro das necessidades da sociedade moderna, onde muitos alunos já fazem parte do mercado de trabalho, dispondo de pouco tempo para os estudos, porém necessitam de qualificação específica, que pode ser fornecida na modalidade EAD.

 

5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRETO, Cristine [coord.]. Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula. Apostila (anexo 1) do Curso Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância – PIGEAD/LANTE/UFF. Módulo 3 – Produção de Material Didático Impresso. Universidade Federal Fluminense, fev., 2009.

COSCARELLI, Carla Viana, org. Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2006.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

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MARCUSCHI, Luis Antônio; XAVIER, Antônio Carlos, orgs. Hipertexto e Gêneros Digitais: Novas formas de Construção de Sentido. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2004.

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[1] CEDERJ: Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro.

[2] PIGEAD: Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância.

 
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