Warning: Creating default object from empty value in /home/textolivre/web/templates/js_elated/wright/doctypes/default.php on line 206

Warning: Creating default object from empty value in /home/textolivre/web/templates/js_elated/wright/doctypes/default.php on line 206

Warning: Creating default object from empty value in /home/textolivre/web/templates/js_elated/wright/doctypes/default.php on line 206
VIOLÊNCIA NOS DIAS ATUAIS
Ajude a manter o TextoLivre.

VIOLÊNCIA NOS DIAS ATUAIS

 


1. INTRODUÇÃO

A violência é certamente e infelizmente uma das palavras que mais se fala e se houve em nossos dias. Os meios de comunicação despejam sobre nós diariamente um sem fim de casos nos quais a mesma é o tema central. Os atos violentos são os mais variados e estão aumentando compulsivamente a cada dia.

Impotentes ou pelo menos nos imaginando assim, frequentemente perguntamos:

· Será que a violência tomou conta do mundo?

· As autoridades estão fazendo alguma coisa e não está resolvendo ou nada se faz de concreto, apenas ensaios planejados para a mídia?

E com certeza a pergunta crucial:

· A violência tem solução?

Para que se responda com um mínimo de acerto a estas questões, é preciso antes analisar friamente alguns de seus aspectos:

Primeiramente saber onde está essa violência e como ela ocorre;

Tentar identificar quais suas prováveis causas;

Nominar os possíveis responsáveis por mudar esse quadro, sabendo e entendendo as suas responsabilidades;

Procurar conhecer quais são as experiências de “cura positiva” implementadas e em andamento e seus resultados;

E finalmente quais fórmulas novas de solução têm a chance de dar certo!

2 . ONDE ESTÁ A VIOLÊNCIA E QUAIS SUAS CAUSAS PRINCIPAIS

2.1 .Violência doméstica

Para que comecemos a observar e entender a violência, não é necessário sequer sair de casa, haja visto que a violência doméstica tem alcançado números elevadíssimos.

“COVARDIA”, estampava uma capa recente da revista Veja. Os números são alarmantes:

· O Banco Mundial estima que um em cada cinco dias de absenteísmo no trabalho feminino decorre da violência doméstica;

· Nos EUA, um terço das internações de mulheres em unidades de emergência é consequência de agressões sofridas em casa;

· 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas à violência doméstica;

· 41% dos homens que espancam suas parceiras também são violentos com as crianças da casa. E um terço dessas crianças tendem a seguir o exemplo quando crescer;

· No Rio de Janeiro registram-se 5098 ocorrências por mês, ou 170 por dia (a cada hora há sete mulheres em situação de violência);

Para conhecer o real estrago de uma vida espancada basta fazer ponto numa das quase 260 Delegacias da Mulher espalhadas pelo Brasil e observar o silencioso desfile das mulheres que vão chegando. Há a que vem de celular na mão, há a que traz a fitinha de Nosso Senhor do Bonfim amarrada na sacola de plástico. “Quem sabe a sorte muda”. Observando desde a que esconde a marca de brutalidade sofrida na véspera, passando pela que estampa o medo que não deixa impressão digital, não entendendo as que desistem à última hora e dão meia-volta e as quase 30% que voltam no dia seguinte para retirar a queixa, nota-se que todas tem uma mesma expressão no olhar. É um olhar vazio, perplexo e derrotado.

Nos países mais desenvolvidos, faz-se todo tipo de cruzamento de dados para determinar o berço em que nasce a violência doméstica. Desde características individuais do agressor (biológicas, idade, abuso na infância, educação, profissão) até as familiares(densidade habitacional, renda familiar) e da comunidade(violência do bairro, índice de criminalidade do país).Disso resultaram algumas conclusões genéricas: 1) quanto mais tempo de casado maior a chance de haver violência; o direito ao abuso parece consolidar-se; 2) quando a mulher tem um trabalho remunerado, a violência física mais bruta despenca substancialmente; a violência psicológica, porém, permanece a mesma; 3) o agressor costuma estar na idade máxima de produção(entre 25 e 40 anos) e recorre à violência quando acha que não está conseguindo cumprir o mandato social de ser o provedor, a autoridade; 4) alcoolismo, pobreza e desemprego, frequentemente citados como causa, são coadjuvantes, não atores principais; 5) a teoria do agressor descontrolado, sob stress intenso, não se sustenta: quanto mais ele brutaliza a mulher, mais diminui seu batimento cardíaco; ele focaliza com frieza a agressão. Ademais, se as tensões no trabalho fossem a causa, por que não começar espancando o patrão?; 6) classe social não altera o comportamento padrão da vítima e do agressor.

Um bem-nascido empresário de Brasília, frequentador assíduo das colunas sociais, e que semanas atrás foi denunciado pela quarta vez por lesões corporais, em nada se distingue do espancador de salário mínimo. Segundo os registros policiais feitos por sua jovem e bela ex-mulher, o que começou com xingamentos e empurrões evoluiu para socos, chutes no rosto, espancamento generalizado e humilhação inenarrável em frente dos empregados. O ciclo terminou numa sala do Instituto Medico Legal, para o exame de corpo delito. Terminou cedo, após apenas cinco anos de casamento. Segundo um exemplo apresentado na conferência do BID em outubro/97, 37% das mulheres argentinas espancadas em casa sofrem o abuso há mais de 20 anos.

Significativamente, o agressor doméstico da mulher, quando chamado a depor, costuma ostentar sua violência também em público. O problema é que, fora dali, a licença social dada ao homem para agredir sua mulher ainda é ampla. Mundo afora, todo um elenco de agentes sociais, que poderiam atuar na prevenção da violência doméstica (professores, profissionais de saúde, lideranças religiosas, legisladores) continua omisso. Uma das aberrações mais gritantes desse quadro vigora no Peru, onde, pela legislação abolida somente em 1997, todo estuprador que aceita-se casar com a mulher que violentara estava liberado de qualquer pena.

No fundo, enquanto a mulher agredida continuar excluída das políticas de defesa dos direitos humanos, com se fossem vasos não comunicantes, pouco se avançará.

2.2 . Violência nas escolas

Quando saímos de casa normalmente vamos primeiramente às escolas onde a violência está presente, as vezes das maneiras mais estranhas...

Ao chegar à escola pública principalmente, muitas crianças já são vencedoras de várias batalhas: Em primeiro lugar, venceram a batalha contra a desnutrição, a desidratação, as verminoses; depois, conseguiram resistir à tentação da rua, que seduz com a ilusão de liberdade; e, principalmente elas estão apostando na escola, nessa primeira rodada da injusta competição entre a escola e o trabalho infantil.

Por tudo isso, ao adentrar pela primeira vez nos portões da escola de primeiro grau, essa criança deveria ser recebida como heroína. Mas não é o que costuma acontecer.

Ela ainda vai ter de enfrentar a violência da própria escola, muitas vezes sutilmente disfarçada, para preservar sua imagem da demolição sistemática engendrada pelo preconceito de colegas e professores. Apelidos maldosos e brincadeiras embaraçosas são exemplos de situações humilhantes que levam muitos alunos menos adaptados a se sentir como forasteiros rejeitados. Essas atitudes marcam alguns alunos com o estigma do fracasso e muitas vezes selam o seu destino de excluídos.

Mesmo sem se dar conta, o professor atua muitas vezes como aliado da exclusão desses alunos. Na maioria dos casos, as expectativas do professor se baseiam em indicadores falsos, preconceituosos, como a aparência física, o grau de asseio de suas roupas, sua capacidade de concentração ou de expressão. São ridicularizados e humilhados o aluno tímido, o que não consegue se exprimir com clareza, o sujo, o maltrapilho, o desatento.

Estes é que precisariam atenção redobrada. É sobre eles que estão os olhos cúpidos dos traficantes de drogas, dos aliciadores de menores para o trabalho clandestino, dos abutres da prostituição infantil.

A escola em si não é responsável pela situação de injustiça social, mas em suas mãos talvez estejam as armas mais poderosas para defender as crianças e transformá-las de vítimas em agentes de mudanças.

“MÃE DENUNCIA AGRESSÃO À FILHA”, manchete recente do jornal Estado de Minas, nos dá outro exemplo de como a violência pode se manifestar nas escolas.

Daniele, 12 anos, foi espancada durante um “corredor polonês” dentro de uma Escola Municipal em Juiz de Fora. No dia anterior ao fato os alunos da 5a série D avisaram os da turma C que alguém seria agredido. Como representante de sua turma Daniele tem a responsabilidade de abrir e fechar sua sala nos intervalos (recreio) para evitar roubos. Neste momento quando passou pelo corredor, onde se encontravam cerca de 40 alunos da outra turma, para abrir a porta, os colegas começaram a esticar os pés para forçar sua queda – foram feitas três tentativas e ela caiu na quarta vez, sendo chutada por todos. Os outros alunos, com medo de serem agredidos, a esperaram chegar ao fim do corredor para prestar socorro. Daniele só foi encaminhada a um hospital duas horas após quando da chegada de seu pai na escola.

Daniele, mesmo sentindo dores, retornou às aulas mas tem pedido insistentemente aos pais para que consigam sua transferência de sala e até de escola, pois o fato criou uma situação constrangedora perante os alunos, que ainda se vangloriam da agressão, já que ninguém foi punido. Segundo a Diretora o caso foi passado para a Secretaria Municipal de Educação que ainda não decidiu a respeito do mesmo.

2.3 . Violência nas Ruas

Quando não vão a escola, para relaxar é comum jovens e adolescentes frequentarem clubes de dança e outros locais onde os jovens se aglomeram, deparando então com a violência das ruas, seja nas brigas de gangues, brigas entre bairros, estimulados frequentemente pelo consumo de drogas e bebidas alcóolicas, e até mesmo por uma falsa sensação de serem admirados e estarem seguros por fazerem parte de um grupo distinto, com é o caso dos lutadores de Jiu-Jitsu que já vão as ruas ou aos bailes com a intenção de brigar.

“Depois que o jogo no chão, é show. Boto o joelho no peito e dou um monte de socão no cara.

O objetivo não é machucar, é brigar. Mas é impossível conter a vontade de deixar a minha marca.” (depoimento de Rodrigo, 19 anos, Rio de Janeiro, Jiu-Jitsu – Revista Veja). “Eu sou explosivo desde garoto. Antes de entrar na briga, eu me perguntava: ‘Será que eu apanho desse cara?` Quando mexiam comigo, eu brigava, eu gosto de ser respeitado. Também tem um pouco de auto-afirmação.”(Rian, 24 anos, Rio de Janeiro).“Eu me sinto mais segura com os meninos do Jiu-jitsu. Tem garotas que gostam de homens bonitos, outras de rapazes com carro zero. Eu gosto dos fortes”(Viviane, 19 anos, Rio de Janeiro). Esses e outros depoimentos tirados da revista Veja nos dão uma pequena idéia de como a coisa funciona.

Nas ruas acontecem também, a todo instante vários e vários atos de sequestros, assaltos, tiroteios etc, ficando na sua maioria sem solução pelas autoridades. O pânico tem se tornado comum nesses casos, chegando as vezes a extremos...

“REFÉM DO MEDO” Jornal Estado de Minas. A estudante Flávia Costa Flores de Carvalho, 17 anos, residente em Belo Horizonte, não sai de casa a dois meses por um motivo só: medo. Ela já foi assaltada 19 vezes, a última com agressão física. Presa a sua indignação, ela resolveu agir contra a violência enviando cartas as autoridades. Escreveu até para o Presidente Fernando Henrique e para o Governador Itamar Franco, cobrando providências. Sua revolta não se limita aos assaltos, mas principalmente, ao fato de terem sido praticados, por adolescentes como ela, também vítimas de um sistema falido. As respostas, segundo ela, foram decepcionantes. Mas Flávia não perde a esperança: “Quero continuar acreditando que o futuro do Brasil pode e será melhor”.

2.4 . Violência Policial

Finalmente o quadro da violência nos mostra um cenário no mínimo interessante, para não dizer assustador: “A violência Policial”, praticada por aqueles que (pasmem) são pagos para nos defender. Em tese quando nos sentimos indefesos é a eles que deveríamos procurar. Em agosto de 1999 a reportagem especial da revista Veja nos trás a seguinte manchete “A POLÍCIA BANDIDA”. Seria apenas mais uma reportagem sensacionalista caso se referisse àquele safanão a mais na hora da batida policial ou do interrogatório ou ao tiro que matou um suspeito. Não que esses delitos são aceitáveis, ao contrário são inadmissíveis, mas comparados a uma lista de crimes pesados dos quais 15.000 homens das polícias Federal, Militar e Civil de 09 Estados Brasileiros, onde há dados acessíveis ( Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Alagoas, Pará, Rio Grande do Sul e Distrito Federal ) e onde trabalham 300.000 homens, são acusados, tornam-se até pequenos. Nada menos que 10% do total de 300.000 são acusados de algum crime. São alguns dos dados alarmantes que temos que lidar.

Há alguns meses um tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro foi preso em flagrante dentro de um desmanche onde foram encontrados vestígios de duas dezenas de veículos roubados. É apontado como chefe do negócio. Em Rondônia, um delegado foi preso carregando 15 quilos de cocaína na viatura oficial. Suspeita-se que seu grupo tenha transportado mais de uma tonelada de drogas no último ano. Em São Paulo um menino de oito anos foi sequestrado e assassinado com dois tiros na cabeça. Os acusados pelo crime são dois policiais. Em Belém, três ladrões levaram meia tonelada de jóias de uma agência da Caixa Econômica Federal, praticando o maior roubo de jóias do país. Dois policiais estão envolvidos, um deles delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Em Alagoas um ex-comandante da PM prepara-se para enfrentar seu terceiro julgamento por uma série de acusações que já lhe renderam pena de 50 anos de prisão. Ele e seu sócio no crime, um delegado de polícia, são acusados de chefiar uma quadrilha de policiais responsável por dezenas de assaltos a bancos e assassinatos. Tortura e estupro são outros crimes citados com frequência. A polícia-bandida tornou-se um dos grandes motores do crime no Brasil e um pesado obstáculo à redução das taxas de criminalidade.

Há bandidos demais na polícia. A população carcerária é de 170.000 pessoas, ou o,1% da sociedade. Há 15.000 policiais, acusados de crimes graves, o que dá 3% do efetivo das polícias.

A taxa de crimes está crescendo. As acusações de crimes graves contra policiais subiram 400% nos últimos 05 anos. Proporcionalmente é 100 vezes maior do que na Inglaterra.

Homicídio é o delito mais comum. Proporcionalmente os policiais respondem até 16 vezes mais a homicídios do que os não policiais.

Roubo vem em 2o lugar. É e 05 vezes mais comum entre policiais do que entre não policiais.

Nas quadrilhas eles são maioria. Em São Paulo, 60% da quadrilhas investigadas do crime organizado têm policiais envolvidos.

A polícia civil é campeã de acusações. Comparados os efetivos das três policias a polícia Civil é acusada de Ter cometido 2,5 vezes mais crimes do que a PM que está em segundo. O critério é proporcional.

A cúpula é pior do que a base. Para cada denúncia contra um investigador da polícia , existem 134 denuncias contra um delegado. Na PM a proporção é de 15 denúncias contra oficiais para cada denúncia contra um praça. Em vinte Estados brasileiros há integrantes da cúpula policial respondendo por acusação de crimes graves.

Maioria Honesta- É preciso reforçar que a grande maioria dos policiais brasileiros é constituída de gente honesta e trabalhadora . O fato de que tantos policiais se envolvam no crime não quer dizer que as corporações como um todo sejam corruptas. Também não quer dizer que a maior parte da força policial brasileira deixe de preocupar-se com o mau comportamento dos colegas. O índice de envolvimento de policiais com o crime, no entanto, é tão alto que não se pode mais depender da boa intenção dos homens para recuperar o prestígio e a eficiência da instituição no Brasil.

Vamos tentar entender um pouco mais do problema:

“O problema anda armado – Estudo mostra que a criminalidade diminui a expectativa de vida no Brasil e a polícia não tem preparo suficiente para enfrentá-la”. As explicações de praxe dos teóricos para o aumento da violência e criminalidade são a miséria, o avanço das drogas e um acesso cada vez maior às armas de fogo. Em resumo, é o que os sociólogos gostam de chamar de “esgarçamento do tecido social”. Entre os estudiosos do assunto, nota-se que vem ganhando corpo uma outra explicação menos teórica e mais palpável. O banditismo generalizado está ligado diretamente à atuação deficiente da polícia. Em outras palavras se os policias trabalhassem melhor haveria menos violência nas grandes cidades. E por que o são assim? Talvez o quadro comparativo nos de uma vaga idéia.

Uma fraqueza visível

POLICIAL BRASILEIRO (em São Paulo)

POLICIAL AMERICANO (EM Nova York)

IDADE

Tem entre 18 e 30 anos

Tem entre 25 e 30 anos

FORMAÇÃO

2o grau incompleto

Curso superior incompleto

TEMPO DE SERVIÇO

Sai da polícia depois de cinco anos

Aposenta-se na polícia

SALÁRIO

Inicial de 800 reais

Inicial de 2000 dólares (4000 reais)

TREINAMENTO

Faz curso de seis meses. Depois

disso raramente há outros treinamentos.

Treinamento inicial de seis meses e cursos constantes de reciclagem

QUANDO ATIRA

Não precisa justificar o uso da arma

Tem de justificar por escrito todos os disparos que faz

CONTINGENTE

Um policial para cada 340 habitantes

Um policial para cada 282 habitantes

INVESTIMENTO

(salários, seguro de vida e treinamento)

O governo gasta com ele

50.000 reais por ano

O governo gasta com ele 200.000 dólares por ano (400.000 reais)

LINHA DE TIRO

A cada quatro confrontos,

mata três oponentes e fere um

A cada quatro confrontos,

mata um oponente e fere três

RISCO DE VIDA

Um a cada 1900 policiais morre assassinado no período de um ano

Um a cada 4400 policiais morre assassinado no período de um ano

Como se faz necessário e importante ver como pensa a polícia, estão a seguir reproduzidos trechos de uma redação de um policial – Luiz Antônio Teixeira, primeiro-sargento de Serrana, Cidade próxima a Ribeirão Preto S. Paulo, (às vésperas de se aposentar) feita para um concurso no mínimo, estranho: atrair e mobilizar a PM de SP no final de 1998, para um concurso de redação com o tema não violência. A frase tema foi “A não violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos” -Mahatma Gandhi:

“Triste Realidade - Hoje estava eu pensando na vida. No que eu como homem havia proporcionado a minha comunidade. Não sei porque comecei a pensar nisso, nem porque justo hoje, mas sinceramente, isso me preocupou. Comecei a lembrar de como atuei em minhas atividades, de como foi que prestei o meu serviço a sociedade. E cheguei a uma conclusão: não sei se sou um homem ou um bicho. Posso dizer que não tenho uma vida normal, não confio em ninguém e duvido até da minha sombra (meus olhos se enchem d`água). Desde que passei a integrar a corporação, perdi os sentimentos de amor ao próximo, até minha família às vezes trato com frieza. E isso para um homem é duro de admitir. Foi me subindo um nervoso, senti um buraco em meu peito; para acalmar-me levantei e fui até a janela, mas as lembranças insistem em tomar meus pensamentos, é como se fosse um filme, as lembranças do abuso do meu poder me doíam no peito... As lágrimas escorriam e com elas toda a minha valentia. Me tornei frágil, pela primeira vez na vida...não há mais tempo de voltar atrás... descobri que perdi toda uma vida, na qual a violência fez o meu caminho... espero que vocês, meus companheiros de farda, não cometam os mesmos erros... pois a vida de um PM acaba e você volta a ser apenas mais um homem comum do mundo...” E o mais perturbador é que na folha de serviços do sargento, nada há de desabonador. “Não matei ninguém nem feri. Não foi preciso”. Diz apenas. Por que tanto amargor então?...Merece uma reflexão cuidadosa por parte de todos que tentam melhorar o quadro!

2.5 . O Problema das Armas

E as armas, a atual legislação sobre o porte de armas contribui para o aumento da violência? Imagine que entrasse em vigor hoje a lei que proíbe o porte de armas no país. Um texto nesse sentido está em discussão em Brasília. Imagine também que todas as pessoas de bem que andam armadas, cidadãos honestos e pagadores de impostos, decidam cumpri-la num prazo de 24 horas e entreguem as armas à polícia até o final da tarde. Apenas militares, policiais e seguranças continuariam armados. Além dos bandidos, lógico, que não estão aí para cumprir a lei. O país acordaria muito diferente amanhã?

Dois parâmetros para se comparar:

O primeiro, um estudo da ONU que segundo conclusões da revista Veja, demonstra que as taxas de homicídios por armas de fogo são mais altas em países com uma legislação liberal sobre armas. Para efeito de comparação a taxa de homicídios cometidos no Brasil com arma de fogo e de 89% do total. EUA- Na maioria dos estados o porte é concedido sem burocracia; 70%. Argentina- Permite o registro e o porte de arma a pessoa maior de idade sem antecedentes criminais; 39%. Suiça- Como todo adulto participa de treinamentos anuais do serviço militar, o porte de arma é autorizado facilmente; 37%. Canadá- Pela lei atual o registro e o porte podem ser dados à pessoa que sem antecedentes criminais for aprovada em um exame psicológico; 30%. Austrália- Proibiu recentemente o porte de arma para toda a população; 19%. Alemanha- Possui um sistema nacional de registro de proprietários de armas e somente o ministério do interior pode conceder as licenças, 11%. Inglaterra- Uma lei aprovada em 1997 proibiu o uso de armas de fogo, de qualquer calibre; 9%. Japão- O registro e o porte de armas são proibidos à população; 5%. Não se levou em conta a diferença de culturas como é o caso do Japão que apresenta os menores índices e é importante observar o percentual na Alemanha que não tem uma legislação proibitiva, apenas reguladora.

O segundo parâmetro é a opinião do afetados e que vivem a realidade brasileira, que se resume na seguinte frase: “Pouca gente acredita que o desarmamento vá reduzir as taxas de criminalidade”. Anualmente, 22.000 pessoas são assassinadas a bala no Brasil. Qual seria o impacto do recolhimento das armas sobre esse volume absurdo de mortes? Os especialistas não têm um número pronto. O que existe são opiniões de quem estuda segurança pública há décadas. Mais da metade dos homicídios são cometidos por bandidos. Ou seja, seus autores não são atingidos pela lei. Um marginal não irá deixar de roubar porque Brasília proibiu as armas. Homicídio e roubo são proibidos, e não adianta nada. Outra grande fatia na taxa de homicídios tem como responsáveis policiais e seguranças que não serão afetados pela nova lei. Portanto nada muda aqui também. Há ainda uma parcela de mortes provocadas por acertos de contas (marido que mata a mulher, sócio que mata sócio e os crimes de motivação política) que vão continuar a existir mesmo que a sociedade esteja menos armada. Restam os homicídios que a lei pode coibir. Os chamados crimes interpessoais, cometidos frequentemente por quem perdeu a cabeça e achou uma arma. É por exemplo a briga do bar ou do trânsito que acaba em morte. Na hipótese mais otimista, a lei poderia evitar 10% dos crimes no país. Isso equivale a 2.000 vidas/ano. A lei do governo a bem da verdade, mira apenas no meio: a arma. Pouco está sendo feito para melhorar a eficiência do trabalho das polícias e do Poder Judiciário.

2.6 Outras formas de Violência

Outra forma de violência manifesta-se, quando em um trote na Faculdade um calouro amanhece morto na piscina; ou quando um estudante de medicina entra em um cinema atirando em estranhos. Devido aos holofotes da mídia estarem sobre fatos como este , há que se ter muito cuidado ao analisá-los ou nem faze-lo. São preocupantes sim, mas de certa forma como também a violência de movimentos como o MST, a violência de menores nas FEBEM`s e movimentos sindicais em combates com a polícia, já tiveram suas causas analisadas nas páginas anteriores, mesmo que embutidas em outras questões.

3. QUAIS OS RESPONSÁVEIS, E SUAS RESPONSABILIDADES

O governo tem papel forte, mas não único no trato com a violência. Deve tratar da questão das polícias, preparando-as e equipando-as e também remunerando-as melhor. Algo precisa ser feito também sobre o sistema penitenciário brasileiro que está “falido”, para não usarmos termo mais forte. Podem e devem o governo e autoridades repensar também a forma de instituições como a FEBEM, que nem de longe estão cumprindo o seu papel de recuperar menores infratores. Uma grande ajuda seria também dada caso nossa legislação fosse menos complicada e mais bem reformulada, atendendo ao todo da sociedade e não apenas a fatias minoritárias. Isso feito poderíamos parar de por a culpa no Judiciário por um sem fim de erros cometidos no país ao longo dos últimos anos. Há no Judiciário, problemas a ser resolvidos, com em todos os 03 Poderes, mas não são eles os responsáveis por diversos episódios lamentáveis em nossa história recente. Cada Juiz ou Promotor que puna casos de criminalidade com mais rigor, e que sobretudo exerça e estimule novas formas de corrigir antigos delitos, como por exemplo dar penas de trabalhos assistenciais gratuitos para pessoas da comunidade com potencial de recuperação (que às vezes são maioria) estará contribuindo para diminuir a violência.

E sobretudo falta as autoridades brasileiras, uma visão holística da situação, ou seja ver o todo, entender que os problemas social, da violência, da educação, da economia etc, caminham juntos e não tem como se dissociar. Em alguns casos falta até mesmo ao governo trocar o discurso pela vontade de fazer ou melhor dizendo pela boa vontade. Inaceitável é que ao mesmo tempo que o governo corta verbas da educação e de outras áreas prioritárias, em nome de um sacrifício que nunca acaba, mantém incentivos da ordem de R$300 milhões por ano, para uma empresa como a Coca-Cola.

À sociedade cabe um papel não menos importante, que passa desde a 1a educação dada em casa, até ao exercício consciente do voto como forma de contribuir para um avanço positivo. Passar da figura de um agente passivo para a figura de um agente ativo. Ou resumindo, ser cidadão num país ainda e infelizmente com cultura paternalista em todos os seus setores.

Aos pais cabe a primeira educação, bem como acompanhar de perto e sugerir reformulações no sistema educacional brasileiro. Sugerindo inclusive porque não a inserção nos currículos mínimos de disciplinas como direitos humanos e cidadania.

Aos professores em qualquer nível, cabe mudar sua forma de agir entendendo que tem o papel de formar seres humanos, que pensem e hajam de acordo com valores fundamentais da sociedade, que se tornem pensantes e não apenas repetidores ou exímios em decoreba, mas sem a mínima capacidade de pensar e que tenham consciência do seu papel, seus direitos e obrigações.

Cada pessoa em qualquer nível social ou hierárquico ou ainda em qualquer facção ideológica ou política, mesmo que aparentemente não se sentir ameaçada com a violência (o que é difícil hoje em dia), deve entender que o problema lhe afeta sim, que é responsabilidade sua também e que pode e deve fazer alguma coisa para mudar este quadro, por menor que seja essa iniciativa. Os trabalhos voluntários e humanitários são ainda muito pequenos e precisam aumentar. Praticar esses fundamentos é exercer a cidadania, ou para que olhemos mais longe: “Ser altruísta a curto prazo e egoísta a longo prazo”, pois caso nada se faça teremos resultados catastróficos talvez.

4. QUAIS AS EXPERIÊNCIAS DE “CURA POSITIVA” BEM SUCEDIDAS

São vários e excelentes os projetos e experiências em andamento, ma infelizmente ainda são poucos, o que não tira o seu grande mérito.

Alguns devem e merecem ser copiados. E vão desde projetos locais até projetos mais abrangentes, desde iniciativas isoladas até iniciativas de entidades, classes ou até de simpatizantes da causa se é que o termo se adequa num assunto tão sério. Alguns setores dos 3 poderes estão agindo mesmo que de forma tímida. Várias boas ações e sugestões vêm exatamente das crianças, o que nos mostra que uma das soluções mias completas ainda é investir na educação, não apenas recursos financeiros mas sobretudo conteúdo e capital humano ou intelectual e tempo.

Conheçamos alguns bons exemplos do que se pode fazer:

· “VALEU” (Estado de Minas) – A barreira da língua não foi suficiente para impedir que estudantes de 13 a 16 anos de uma escola municipal em Minas, chegassem à conclusão que o melhor remédio para a violência nas escola é o envolvimento da comunidade. Junto com um professor os estudantes representaram a escola na 100a Conferência Internacional de Haya, na Holanda. Para chegar lá venceram um concurso de vídeos em Nova York com a produção “Briga de Escola”, um vídeo feito retratando de forma irônica, as brigas entre os estudantes de duas escolas. O vídeo acabou estimulando a paz entre os jovens e conquistou a simpatia dos participantes da conferência. Através de mímica os estudantes trocaram idéias com estudantes do resto do mundo e descobriram que não é necessário uma grande campanha por parte do governo para promover a paz. “A paz a gente constrói sozinho. Depende do pouquinho que eu , você , cada um fizer” defende Elton Felipe, 16 anos. Para o professor Paulo ficou claro que as escolas mineiras estão no rumo certo mas precisam investir mais. “três temas deviam estar inseridos nos nossos currículos: resolução de conflitos, responsabilidade social e educação para a paz”, enfatiza.

· “ACEITANDO AS DIFERENÇAS” (Estado de Minas) – José Carlos da Silva, 35 anos para a comunidade do bairro Alto Vera Cruz é “Lin” o vigilante da escola Israel Pinheiro em BH. Há oito anos, a escola, cravada numa das regiões mais violenta da cidade, não sofre um arrombamento. A última briga entre estudantes ocorreu há mais de um ano, assim mesmo nada sério. A Israel Pinheiro é uma ilha de paz e esperança para o Vera Cruz e já começa a contaminar o resto da comunidade. Há três anos os índices de criminalidade do bairro caíram e todos apontam a escola como responsável. Ela só fica fechada entre 23:00 e 06:00. Nos resto do tempo, incluindo finais de semana e feriados, as quadras estão abertas para a comunidade. Dezenas de jovens jogam futebol. Convivem alunos e moradores em paz. Tem malandro perigoso que lá dentro vira menino. Se se excederem a escola é fechada e eles saem bravos com eles mesmos, mas sem resistir.

Um aluno da 7a série diz: “Escola que tem violência é escola fechada para a comunidade. No Vera Cruz só tem essa quadra. Se a gente estragá-la ou não inspirar confiança, a diretoria não deixa a gente voltar. Ninguém estraga o que é seu mesmo”. Curso de datilografia, teatro, capoeira, educação sexual, cerâmicas, astronomia, dança de salão, oficina de imagens fazem da escola um referencia para a comunidade. “Eles se importam com a gente, melhoram as perspectivas do nosso futuro, diz um aluno.

· “GRAFITE SIM, PICHAÇÃO NÃO” – Em uma outra escola oito alunos, pichadores confessos, deram um tempo com as pichações e iniciaram uma campanha que tem com tema a diminuição da violência na escola. Estão agindo através da arte, grafitando com autorização da escola painéis alusivos ao tema. Até mesmo os que ainda não aderiram respeitam os trabalhos feitos deixando-os intocados. “Muitos acham que aqui só tem ladrão. Essa foi nossa resposta para a sociedade” diz um dos jovens.

· “APRENDIZ” – Outro trabalho valiosíssimo é o projeto aprendiz. No texto abaixo seus idealizadores se apresentam por si mesmos.

“Quem Somos?

O Projeto Aprendiz é uma rede de parceiros com uma meta: educação para a cidadania, fortalecendo a consciência de direitos e deveres. É uma mistura de educadores e jornalistas. Somos jornalistas querendo usar os recursos da educação e educadores atraídos pelo charme do jornalismo. Vamos além da mera difusão de dados ou comentários. Comprometido com a alfabetização digital e democratização da tecnologia, o Projeto Aprendiz treina professores e produz material didático a ser utilizado nas escolas.

Envolve centenas de escolas privadas e públicas, conectadas pela internet. Tudo começou em 1997 - uma eternidade em se tratando de internet. O jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, morava em Nova York, onde era acadêmico-visitante da Universidade de Columbia. Resolveu escrever um livro, o Aprendiz do Futuro, através do qual os estudantes estudariam cidadania e, ao mesmo tempo, aprenderiam como navegar na rede, guiados por um site especialmente construído. A idéia foi remoída, virou passado. Com a entrada de Fernando Rossetti, repórter de educação da Folha e ex-acadêmico-visitante de Columbia, o Projeto Aprendiz virou também um jornal, capaz de transmitir informações. Rapidamente houve adesões: Unicef, Unesco, Instituto de Novas Tecnologias de Educação da Universidade de Columbia, Colégios Bandeirantes, Positivo, Bank Boston, Fundação Bradesco, Livraria Cultura, Natura , Agência de Notícia dos Direitos da Infância (Andi) e editora Ática. No Paraná o projeto se transformou em programa oficial, criando grupos de monitores para treinar em cidadania e novas tecnologias 2 mil professores.

Foram chegando articulistas como Fredric Litto, da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo e Maria Alice Setubal, do Cenpec e Unicef. A Trevisan Associados decidiu compartilhar informações sobre educação para empregabilidade. A Fundação Victor Civita integra a experiência com a versão eletrônica da revista Nova Escola. Esse é um site em construção - e, provavelmente, sempre vai estar em construção. Não apenas pela velocidade tecnológica, a gigantesca demanda por cidadania diante da não menos gigantesca carência de recursos, mas porque somos um projeto virtualmente anárquico. O Projeto Aprendiz não tem dono, sede, hierarquia, regulamento. É a cara dos seus parceiros, cada qual com seu jeito de ver o mundo, mas convencidos de que educação para a cidadania é prioridade nacional.”

· “AQUI A POLÍCIA FUNCIONA BEM” – Para trabalhar bem, a polícia precisa contar com equipamentos de qualidade e viaturas novas além é claro de pagar salários dignos aos seu efetivo, mas em geral os secretários de Segurança interrompem a discussão nesse ponto, pedindo mais dinheiro. Em pelo menos três Estados, há exemplos de eficiência obtida com base em algo mais barato: a formação e o treinamento de equipes. * Rio de Janeiro – O Estado enfrentou uma epidemia de sequestro, que chegou a mais de 100 crimes por ano, até o final de 1997. Pouquíssimos desses caso foram solucionados até a reformulação da Delegacia Anti-Sequestro, em 1998. O número de sequestros despencou para treze por ano e o índice de crimes esclarecidos subiu para 70%. Não é o paraíso, mas melhorou muito. Um dos segredos foi trocar policiais antigos e sem estímulo por mão-de-obra mais jovem. * São Paulo – O departamento de homicídios da Polícia Civil paulista esclarece atualmente metade das ocorrências na capital. É um índice semelhante ao das melhores polícias do mundo. A taxa de solução de assassinatos nos EUA é de 50%. O mérito do departamento paulista foi montar uma equipe estável que está junta há mais de dez anos e aprendeu a investigar. * Paraná – O Estado montou uma academia de polícia de primeiro mundo. O projeto do governo é usá-la para, em dois anos, requalificar todos os policias paranaenses com cursos de novas técnicas de investigação e tiro. Além dos cursos ligados à profissão, a academia dá aulas de inglês, espanhol, informática e artes marciais. A escola está atraindo policiais do país inteiro.

· Recentemente foi circulada na imprensa a noticia de uma Senhora da alta sociedade no Rio de Janeiro que conseguiu realizar seu grande sonho – deixar para trás o apartamento e comprar uma casa ampla onde pudesse desfrutar da vida de uma forma melhor. Tudo estaria perfeito, a não ser pelo fato de a casa situar-se próximo à entrada de uma da favelas mais violentas do Rio. Após ser assaltada várias vezes, e já sendo aconselhada e quase convencida pelos amigos e pelo esposo de vender a casa e voltar para o apartamento, tomou uma atitude corajosa, que a maioria não tomaria. Resolveu subir o morro e conhecer de perto a realidade dos seus “inimigos”. Ao deparar-se com o quadro de desamparo social instalou lá um programa de creches e ensino de habilidades como artesanato para os moradores. Começou com doações dos amigos e hoje já recebe ajuda de várias entidades. Resultado: Sua casa nunca mais foi assaltada e tem hoje o respeito de todos de lá e ainda trânsito livre pela perigosa favela. O trabalho é reconhecido internacionalmente.

· Um outro caso que merece destaque é o de um estudante que sem recursos resolveu instalar escolas de informática um uma favela do Rio. Hoje já são várias escolas em diversas favelas, e frequentemente ele é convidado para fazer palestras pelo Brasil afora, apresentando sua experiência.

· No sul uma pequena cidade criou o programa “adote um menor de rua”. Famílias voluntárias incentivadas pelo juiz local, adotam um menor infrator, e se comprometem a educá-lo e orientá-lo para tirá-lo das ruas, acolhendo-os em suas casa por um período ou até em definitivo. Os menores são também voluntários. O índice de retorno às ruas é baixíssimo e a criminalidade desapareceu da cidade.

5. QUAIS FÓRMULAS NOVAS DE SOLUÇÃO TÊM A CHANCE DE DAR CERTO!

Todas! Desde que sejam propostas sérias e não tenham ou contemplem fórmulas fáceis, as chamadas milagrosas. O país está repleto de exemplos bem sucedidos em todas as áreas. Todos tem alguns ingredientes comuns que merecem destaque:

· A importância dada ao problema;

· A vontade das pessoas e entidades, conscientes de seu papel;

· O envolvimento dos atingidos;

· A doação de tempo para efetivação das idéias;

· A continuidade;

· E um fator importantíssimo, a criatividade brasileira. Como disse Dadá Maravilha ou Dario Peito de Aço: “Se temos a problemática, temos também a solucionática”.

Grande lição a ser aprendida por muitos de nós e de nossos políticos.

6. CONCLUSÃO

Vimos que a violência de um certo modo tomou conta do mundo, ela aparece em movimentos com motivações políticas: assassinatos de líderes e autoridades, de inocentes transeuntes de uma rua, de passageiros de um ônibus, de pessoas dentro de um prédio ou de uma estação ferroviária. Cidadãos civis, homens do campo, sendo chacinados por forças militares ou paramilitares . Etnias sendo dizimadas por outras.

No Brasil, a violência como pudemos ter uma idéia, é cotidiana. Assassinatos a mão armada por bandidos, por portadores de armas embriagados, por policiais vingativos, por traficantes ajustando contas. Sequestros roubos de crianças para “exportação” ou -pasmem- para roubo de orgãos! Mortes por balas perdidas, isto é, por livres atiradores. Roubos e atentados ao patrimônio são o de menos (afinal quem, numa grande cidade, ainda não foi vitima de um?) . Em suma, violência extrema, o homem tornado algoz de si mesmo, o homem tratando o homem como seu pior inimigo, como a coisa mais detestável da face da terra.

São todas cenas de um mesmo mundo, de um mundo que mais e mais caminha para se tornar inóspito, inseguro, ameaçador e perigoso se nada for feito! Mundo em que cada um se sente inseguro de sua subsistência, inseguro de sua condição, privado do exercício de suas possibilidades humanas mais básicas como trabalhar, manter relações de amizade e companheirismo, exercer sua afetividade, ter uma moradia. Onde professores esquecem de seu papel e violentam alunos, patrões aproveitam das necessidades de cada um, cada vez menos satisfeitas, e insistem em manter vivo o AI –5 nas empresas ( pelo menos nas brasileiras). Os alunos, empregados, enfim todos os afetados em nome de se defender só fazem na maioria dos casos aumentar mais a violência, esquecendo-se da máxima “violência gera violência”.

É necessário que em cada canto desse país as pessoas de bem, sejam elas quais forem, dêem uma lida pequena no capítulo “Quais Os Responsáveis, E Suas Responsabilidades”, revejam as boas experiências em andamento por esse país e ai respondam por si mesmas:

· A violência tem solução?

A resposta dos autores deste artigo é : SIM, a violência tem jeito!

Ao pesquisarmos o tema violência na Internet, usando o mecanismo de busca “Radar UOL” encontramos 8.546 páginas a respeito do tema. Jornais e Revistas com manchetes explosivas também não faltaram.

Mas curiosamente ao pesquisar-mos a palavra “PAZ”, o resultado foi bem mais expressivo: 121.266 páginas. Sim há paz no mundo. E acreditamos na diminuição em escala da violência! Acreditamos que o desarmamento diminuirá sim a violência no país: “O desarmamento dos corações”! Esse produz resultados grandiosos.

Mas essa resposta é, e tem que ser individual... Mas individual mesmo, não deixe que a mídia ou os pessimistas respondam por você... E ai...

A violência tem solução?....

Se sim o que você vai fazer?


7 . ARTIGOS

Durante a pesquisa deparamos com alguns artigos interessantes que aqui reproduzimos:

7.1 A Violência das Ruas

(Artigo tirado de http://cogeae.pucsp.br/~sircri/banco/vida/violenc/hrw.html – PUCSP)[1]

As crianças que vivem e trabalham nas ruas do Brasil fazem o que podem para ganhar dinheiro: eles vendem doces ou cigarros, engraxam sapatos, olham carros, pedem esmolas, vendem drogas, prostituem-se e cometem crimes... Como resultado, as crianças de rua, e frequentemente as crianças pobres em geral, são vistas como criminosas ou criminosas em potencial.

Final Justice, relatório escrito pela Human Rights Watch

Em um primeiro momento, todos ficamos chocados com um relato em que uma criança é assassinada. No entanto, o assassinato de centenas de meninos e meninas nas ruas das maiores cidades do país parece ser uma prática tão comum que as notícias já não chocam, nem saem mais nos jornais. Há uma teoria sobre os efeitos da violência nos meios de comunicação de massa que diz que a violência repetida diariamente faz com que as pessoas percam a sensibilidade ao que estão vendo. Será que foi isso que aconteceu com a sociedade e o governo em relação às crianças e adolescentes assassinados todos os dias? é pouco provável, já que tanto a sociedade brasileira quanto o governo nunca se mostraram muito sensíveis ao assunto.

É difícil, porém, condená-los totalmente. Anos de inflação, mudanças políticas, falcatruas e desilusões condenaram o país e transformaram os brasileiros, especialmente a classe média, em individualistas contumazes. Cansada de perder para o governo e para a inflação e de ainda por cima ser assaltada por pivetinhos e pivetões, a população resolveu agir por conta própria, sem perceber que o problema dos assaltantes, dos estupradores, dos traficantes, na grande maioria das vezes, está fincado nas mesmas bases de onde surgiram os seus próprios problemas: a grande diferença social, que separa o Brasil entre pobres, que segundo alguns não merecem nem mesmo viver, e não-pobres apavorados.

Neste cenário, armado principalmente nos bolsões de miséria das grandes cidades, comerciantes e outros atingidos pagam policiais, ex-policiais, traficantes de drogas e matadores profissionais para produzir uma limpeza na região. Querem tirar da área os indivíduos que lhes causam problemas, entre eles, as crianças e os adolescentes. A sociedade, com a promessa de se ver livre dos bandidos, agradece. Mas o problema não diminui, muito pelo contrário, a cada dia vemos mais violência, mais assaltos e mais mortes.

As mortes causadas pela polícia também não funcionam da maneira como se quer fazer crer, ou seja, como uma “limpeza” de bandidos. Em sua extensa pesquisa publicada no livro “Rota 66”, o jornalista Caco Barcelos descobriu que entre as pessoas mortas pela Polícia Militar em São Paulo de 1970 até 1992, apenas 34,6 por cento haviam se envolvido em crimes na capital. Isso significa que em sua limpeza, a polícia mata cidadãos inocentes, trabalhadores, a grande maioria pobres e pardos, e os apresenta como bandidos.

Mas onde então está a falha desta prática? A constatação de que estamos tratando de vidas humanas, de que a justiça pelas próprias mãos é injusta e de que muitos inocentes podem morrer e morrem nas mãos dos justiceiros parece não importar muito nessa discussão. O que não percebem aqueles que aplaudem os matadores é que não faz diferença quantos bandidos ou inocentes eles matem, pois o sistema está aí para produzir muitos mais. Além disso, parecem não se dar conta de que estão criando um círculo vicioso. Os matadores nada mais são do que bandidos, só que ainda mais perigosos porque cheios de poder. Eles apenas aumentam a violência, cobrando pela segurança tanto dos comerciantes, loucos para se verem livres dos ladrões, quanto dos ladrões, que acabam roubando mais para escapar da morte encomendada.

A solução para este problema passa por extensas reformas sociais, mas também pode começar por pequenas iniciativas. Os que pagam os matadores, se não se convencem com discursos sobre os direitos humanos, já que não vêem os outros como seres humanos, precisam saber que o sistema que escolheram é pouco eficiente. E que a conivência e o descaso frente ao problema deveriam ser evitados, se não por uma questão de solidariedade humana, porque a violência acabará se voltando contra essas mesmas pessoas. Isto acontece, por exemplo, no caso dos sequestros no Rio de Janeiro.

A situação deveria ser encarada, sim, como uma guerra. Mas uma guerra onde não adianta matar os inimigos, porque outros virão de onde estes vieram, mas adiantaria tentar lhes dar condições para mudar de lado. Mudar para o lado que é contrário à violência, venha ela de onde vier. Mas de que lado estão os que contratam justiceiros? E os que são coniventes ou apenas indiferentes? Nesta guerra há bandidos e inocentes dos dois lados. Mas a quem interessa que a guerra continue? Aos comerciantes que vivem ameaçados e roubados, tanto por ladrões como pelos próprios justiceiros? às crianças e adolescentes, aos homens e mulheres torturados e mortos todos os dias? Ou aos matadores e aos fabricantes de armas que ganham dinheiro e poder a cada crime impune? Então, de que lado você está?

Com um esforço conjunto entre a sociedade e o estado, garotos e garotas, homens e mulheres têm toda a possibilidade de passar para o lado da guerra que é contra a violência. O interesse é nosso. Por que será que as crianças pobres cometem mais crimes do que as crianças de classe média? Será que a pobreza faz com que se torne ativo na criança um gene para o crime? Improvável. Mais provável é que crianças que têm família, casa, comida e escola possuam menos motivos para sair assaltando por aí do que os que não têm nada, os que não têm futuro.

A Human Rights Watch em seu relatório sobre o assassinato de crianças, Final Justice (Justiça Final), enfatiza que os principais motivos para a matança de crianças e adolescentes pobres nas ruas das maiores cidades do Brasil são o crescente empobrecimento da população, a falta de recursos para a educação e as profundas diferenças sociais, econômicas e raciais. Além da impunidade dos envolvidos e da conivência da sociedade. é verdade que as soluções são complicadas e estruturais e que ninguém se considera diretamente culpado pela pobreza e pela falta de recursos dos outros. Mas mesmo quem acha que as pessoas não importam tanto assim vai precisar tomar partido, já que os problemas dos outros acabam batendo à sua porta. E aí teremos que escolher de que lado da guerra queremos estar.

7.2. Violência

(http://cogeae.pucsp.br/~sircri/banco/vida/violenc/violenc.html)[2]

A violência vem assustando a todos os que vivem neste país.

Mas o que, ou quem, devemos temer?

Fatalmente, tendemos a culpar pessoas ou instituições pelas causas que nos afligem, mas quando falamos de violência a quem podemos responsabilizar?

Não existe na verdade um culpado pela violência, aquele cujo extermínio nos livraria dela definitivamente. Mas nós, que temos muitos motivos para procurar enfrentar esta onda cada vez mais devastadora que entra em nossas casas e famílias de forma abrupta, sentimos necessidade de compreender melhor as condições que permitem o seu crescimento.

É importante lembrar, em primeiro lugar, que vivemos num país de grandes desigualdades econômicas e sociais, onde a falta de solidariedade social é grande e o individualismo crescente.

Nas grandes cidades, é conhecido o alto índice de violência nas regiões periféricas, mais pobres, que apresentam piores condições de vida para seus moradores. O seu desenvolvimento, sem um adequado planejamento, que previsse benefícios para todos que a elas foram chegando, resultou numa profunda deficiência de políticas públicas. Assim, muitos fatores agravam a extensão da violência: ruas sem iluminação, sistemas de transporte precários e sem segurança, falta de escolas e evasão escolar, insuficiência de centros e locais de convívio para a juventude, entre tantos outros. Torna-se indispensável a atenção às chamadas "políticas sociais".

Dentre as políticas ausentes, destaca-se a de segurança pública, para assegurar o cumprimento da função de polícia, na ótica educativa, preventiva, do respeito aos direitos dos cidadãos e do término da impunidade dos atos violentos.

O que se tem, em geral, é um policiamento dotado de poucos recursos, onde faltam carros, armas e homens, e que, além de insuficientes, são mal distribuídos pelos bairros, fazendo crescer a insegurança e o medo, não só entre os moradores das regiões periféricas, mas em toda a cidade.

A sociedade capitalista contemporânea adicionou um ingrediente de tensão às relações sociais. O desejo de possuir o que se vê nas ruas, na televisão, nas revistas, choca-se com a realidade cotidiana , no Brasil, de um salário mínimo de pouco mais de 100 reais, que nem todos chegam a ganhar, e pode acabar por criar insatisfações tanto dentro da família quanto do indivíduo em relação à sociedade. Por outro lado, quem possui o que os outros ambicionam sente-se acuado e quer proteger seu patrimônio, gerando mais um foco de agressividade.

A violência dos grupos de extermínio encontra explicações nessas desigualdades e tensões sociais, mas perpetua-se por causa da impunidade dos agressores e da conivência daqueles que os contratam, do sistema policial e judiciário e da sociedade em geral.

É também impossível esquecer a ligação entre a violência e o consumo e tráfico de drogas. Este fato vem sendo cada vez mais demonstrado através do aumento de roubos e assassinatos praticados não só por traficantes, como, mais recentemente, por consumidores.

Para uma compreensão exata das causas da violência não se pode dispensar, enfim, o exame mais minucioso do que ocorre com as relações dentro da própria família, que podem gerar, de imediato, a violência doméstica, ao mesmo tempo refletindo os padrões de relações sociais vigentes na sociedade e operando sua reprodução, ou mudança.

7.3. Não existe criança de rua no Brasil

(http://www.uol.com.br/aprendiz/)[3]

Um assaltante entrou, quarta-feira passada, na barbearia de Júlio Martins da Silva, 60 anos, em São Paulo_ naquele instante, um sonho se transformou apenas em notícia de primeira página.

Ele vinha há anos economizando dinheiro para comprar o imóvel que hospedava sua barbearia, livrando-se do aluguel; o esforço valeu a pena, juntou a quantia necessária, estava prestes a fechar o negócio.

Mas, naquela tarde de quarta-feira, acompanhado dos filhos, ele, sentado num banco, viu o ladrão entrar no salão, tirar R$ 6,00 do caixa e, com a outra mão, disparar-lhe um tiro no abdome.

O barbeiro assistiu, imóvel, ao tiro, não reagiu. Morreu antes mesmo de ser atendido no hospital.

*

A banalização da selvageria urbana tem disseminado o debate sobre as causas da violência _ já se sabe que a solução dessa epidemia está no elenco óbvio de ações que visem, ao mesmo tempo, melhorar a polícia e os indicadores sociais.

Um estudo divulgado, sexta-feira passada, sem qualquer vinculação com a criminalidade, ajuda ( e muito) a explicar o caos social no qual um indivíduo mata por R$ 6,00 um ser imóvel e indefeso.

A Fundação Carlos Chagas avaliou um programa contra repetência escolar, realizado com 25 mil estudantes do ensino fundamental (ex-primário e ginásio), espalhados em 24 municípios.

O programa é resultado de uma aliança de governo, ( federal e municipal), universidade ( Universidade de Brasília) e sociedade civil (Instituto Ayrton Senna).

Com míseros R$ 25,00 mensais por aluno, o programa criou salas especiais aos repetentes crônicos, produziu material didático, treinou professores; ao final de um ano, os alunos saltaram, em média, 2,5 anos. Uma expressiva parcela pulou até quatro anos.

Mas, afinal, o que tem a ver repetentes escola com violência?

*

Se com tão pouco se consegue fazer um aluno prosperar, imaginem com a educação pública massacra e humilha um indivíduo ,em suma, é uma máquina de marginalidade.

Apesar do notáveis avanços, o custo médio do aluno brasileiro é ainda insuficiente; também apesar de não menos notáveis avanços, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, o salário do professor é baixíssimo.

Os números do massacre: 70% dos estudantes no ensino fundamental estão defasados. O que, no final, custa ao país por ano R$ 3 bilhões, tantas as repetências.

*

Tanto quanto a miséria, a repetência desestimula o prazer pelo aprendizado, expulsando a criança da escola, perseguida pela sensação de fracasso, cercada pelo estigma da incompetência e ignorância.

A legião dos fracassados é engrossada por milhões de novos brasileiros a cada ano ( milhões, aqui, não é força de expressão).

Dos 33 milhões de estudantes do ensino fundamental, cerca de 10 milhões repetem todos os anos.

*

Não existe criança de rua _ existe criança fora da escola.

Insisto: ela não está na rua apenas porque é miserável ou vem de família desestruturada, mas também porque a escola não sabe como recebê-la e fazê-la prosperar.

Instala-se, assim, o círculo vicioso: não tem educação, não tem trabalho. Logo, está mais próxima da criminalidade.

Some-se a carga de ressentimento acumulada pelo massacre psicológico.

O tráfico de drogas oferece a um jovem a chance de ganhar até R$ 600,00 mensais.

Onde mais iria ganhar tanto dinheiro, sem exigência de qualquer qualificação profissional?

Pena que tenhamos que repetir essa obviedade: quanto melhores forem as escolas públicas, treinando não apenas para o trabalho mas à vida, envolvendo a comunidade, menor a taxa de marginalidade de uma sociedade.

Portanto, menor a carga de ressentimento coletivo que estimula a violência.

Antes que as pessoas procurem soluções apenas no que ocorre dentro das policiais, é bom olhar também o que ocorre nas delegacias de ensino.

A escola do crime começa dentro da escola.

PS- Por falar em caos. Ouvi do urbanista Cândido Malta sugestões para reduzir o inferno dos congestionamentos de tráfego _ quem resolver o trânsito de São Paulo é, na minha opinião, candidato a Prêmio Nobel.

Suas sugestões são simples e, à primeira vista, me impressionam. Ele quer cobrança de pedágio dentro da cidade, usando códigos de barra nos veículos e detetores eletrônicos nas ruas. Efeito: haveria menos carros circulando. A renda do pedágio iria para financiar o metrô.

Sua solução para o cidadão deixar o carro em casa. Criar linhas regulares de peruas vans confortáveis, devidamente equipadas com ar condicionado, nos bairros de classe média. Com 7 mil vans, segundo ele, haveria redução de 200 mil carros nas cidade, justamente nas áreas de maior congestionamento.

Gilberto Dimenstein

7.4. Conversa de bêbado

(http://www.uol.com.br/aprendiz/)[4]

Na periferia de Brasília, uma escola pública resolveu funcionar durante a madrugada e finais de semana, aberta para as gangues. Localizada a 35 quilômetros do Plano Piloto, Planaltina é uma praça de guerra, onde jovens se digladiam movidos a álcool e droga. Muitas vezes, a pancadaria é passatempo, na busca de lazer. Numa tentativa de domar o conflito, a escola convida os integrantes de gangues a disputar torneios de futebol em sua quadra -transferem as rixas para a bola. Aparentemente exótico, o horário dos torneios tem uma razão simples. Em todo o país, as estatísticas mostram que, nesse período, ocorre a maioria dos casos de violência, especialmente nos finais de semana. É uma ótima lição -especialmente para os paulistanos, atentos para o debate sobre o fechamento dos bares depois da 1h.

*

Por trás da decisão de fechar os bares, há uma discussão séria: a imensa maioria dos casos de violência tem drogas no meio, protagonizados dentro de um bar. A análise dos homicídios revela que os crimes ocorrem de noite, com maior incidência nos finais de semana na periferia, geralmente por motivos fúteis; discussão sobre futebol, mulher, desentendimentos familiares, por exemplo. As estatísticas indicam que os homicídios nos bairros de classe média são semelhantes aos dos países mais ricos. É uma realidade escondida e desconhecida, graças ao clima de histeria.

*

É sabido que controlar o consumo de álcool e de drogas é um dos mecanismos para reduzir os níveis de violência. Fiscalizar e fechar bares depois de determinado horário teria até sentido -desde que como um das peças de um projeto. O que funciona, de fato, são experiências como a de Planaltina, nas quais espaços públicos se transformam em centros de convivência, cercados de educadores, psicólogos e médicos. Iscas como esporte e arte têm servido, nos mais variados países, para atrair, envolver e encantar jovens delinquentes, recuperados em sua auto-estima. A cura definitiva é quando se agregam a escola formal e, depois, programas de geração de renda. Droga e álcool não são causas de violência. São consequência da percepção cotidiana de marginalidade.

*

A grande bebedeira nacional não é só a lerdeza, em geral, do poder público -incompetência de aplicar medidas simples e eficazes como manter as escolas abertas nos finais de semana. É, além da lerdeza, a incapacidade de suas várias esferas trabalharem juntas, repartindo e complementando responsabilidades. Se os governos federal, estaduais e municipais, aliados a grupos empresariais, sindicais e associações não-governamentais quisessem reduzir a violência, não precisariam gastar quase nada além de seus orçamentos. Quanto custa manter as escolas abertas nos finais de semana, com atendimento médico e psicológico, acompanhados de programas de arte, esporte e reforço escolar? Há milhares (repito, milhares) de cidadãos dispostos a colaborar gratuitamente, desde que convencidos de que o esforço é sério.
Pela falta de uma estratégia global, capaz de ser articulada em conjunto em diferentes esferas, bobagens prosperam, como se fossem conversa de bêbado.

Alguns propõem reduzir a maioridade penal, imaginando que trancafiar adolescentes numa prisão de adultos resolve o problema; há quem defenda a pena de morte. O fechamento dos bares se insere nesse clima de conversa de bêbado, muita falação e pouca consequência.

*

PS - Bom exemplo. A Federação Paulista de Futebol doou R$ 1 milhão para o Instituto de Solidariedade (ISO), entidade não-governamental, para que se construa centros de esporte na periferia, combinado com atividades educacionais e artísticas. Em parceria com a Secretaria de Esportes, esse projeto envolve grandes grupos empresariais, visando atrair crianças de rua -uma experiência-piloto já funciona no Ginásio do Ibirapuera.

Idéia semelhante, no Rio, mostra que, se bem executado, o projeto funciona. É o caso da Mangueira, onde despencaram a níveis insignificantes os crimes cometidos por adolescentes.
O fato ridículo: a cidade de São Paulo tem, no máximo, 2.000 crianças de rua. Só a incompetência e o descaso explicam como a cidade mais rica da América Latina não sabe lidar com tão poucas crianças em estado de decomposição.


Gilberto Dimenstein


BIBLIOGRAFIA

- Revista Veja. Diversas. Publicação semanal da Editora Abril.

- Revista Época. Diversas. Publicação semanal da Editora Globo.

- Revista Isto É. Diversas. Publicação semanal da Editora Três.

- Jornal Estado de Minas. Diversos. Publicação diária.

- Jornal Folha de São Paulo. Diversos. Publicação diária.

- Internet. Diversos. Busca no “Radar UOL” Violência, principalmente nos Sites:

. Unesco; http://www.unesco.org.br/brasil

. PUC-SP; http://cogeae.pucsp.br/~sircri/banco/vida/violenc/violenc.html

. Projeto Aprendiz; http://www.uol.com.br/aprendiz e Raiva (Rede aberta de investigação das Violências) http://www.cfh.ufsc.br/~raiva/raiva.html



[1] (não garantimos a atualização desta lista de sites. Esses serviços podem ter mudado de endereço ou ter sido interrompido):

[2] (não garantimos a atualização desta lista de sites. Esses serviços podem ter mudado de endereço ou ter sido interrompido):

[3] (não garantimos a atualização desta lista de sites. Esses serviços podem ter mudado de endereço ou ter sido interrompido):

[4] (não garantimos a atualização desta lista de sites. Esses serviços podem ter mudado de endereço ou ter sido interrompido):

O presente estudo foi realizado nas cadeira de férias de 2007, com a turma de criminalistica do Curso de Direito.
 
© 2011 Texto Livre - Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.

Compartilhe

 
Joomla Training at JoomlaShack.com