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Escrito por Paulo Valença   
Dom, 07 de Fevereiro de 2010 09:33

                                   

 

Pedro despede-se do amigo:

- Até mais tarde, no trabalho.

O outro sorri:

- Até, cara.

Com passos vacilantes Pedro se afasta, enquanto o colega toma outro rumo, pensativo, na madrugada alta. As ruas assim sem pedestres, automóveis... Não, melhor não pensar negativo! Apressa-se em sentido à parada dos coletivos, onde aguardará aquele que o conduzirá a casa, com a mulher esperando-o, preocupada. Então, ao dobrar a esquina recebe a violenta pancada no pescoço.

- Porra!

Exclama perplexo e vê as asas fazendo círculos e sumir no alto, por trás do parapeito do edifício defronte.

- Um morcego...

O pescoço queima. Esfregando-o com os dedos nervosos, sente o calor do sangue. A vista se turva. A cabeça roda e, ante a súbita fraqueza das pernas, o corpo se projeta na calçada.

Sobre o parapeito olhos miúdos seguem a cena embaixo, do homem que, aos poucos, imobiliza-se... para sempre. As asas batem uma de encontro à outra, como num aplauso, e alça vôo, em busca se nova vítima, pois o vampiro é mortal.

 

 

Paulo Valença é autor paraibano, com livros de ficção premiados nacionalmente; Verbete do Dicionário Biobibliográfico de Escritores Contemporâneos; Verbete da Enciclopédia de Literatura Contemporânea;  Membro de várias instituições literárias; Presente em diversos sites; Reside em Recife/PE.

 

 

 

 

 

 

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