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Caipira/A carta
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Caipira/A carta

Caipira/A carta

I
Caipira
maria da graça almeida

Sou eu caipira

e gosto de “sê-lo”,

mesmo caipira

posso envolvê-lo

no toque caipira

do meu coração.

Eu sou caipira,

“de sê-lo”, eu gosto,

mesmo caipira,

juro que posso

prendê-lo nas malhas

da minha emoção.

Eu sou caipira

e sou um poeta

e sendo caipira

e ainda poeta

versejo tranquila,

de poRtas abeRtas,

o que há de caipira

na minha oração.

II
A carta                                                                                    
                                           
O Bigode grisalho vestia

a bocarra do caipirão,

a tarde nas lonjuras se ia,

sem rumo, sem direção.

O homem se amofinava

à espera da carta do bem,

seu olho esperto colava

na curva das linhas do trem.


- Ô cruiz crédu, meu Padínhu,

mia Virge, meu Santínhu,

Num é qui ovi um apítu?

I vem das banda du riu,

dôndi u pástu é mai bunítu,

dôndi as égua tão nu ciu!

Zé Maneru, Oristidi,

u barúio já tá vínu,

é o bichão qui largô tárdi,

i na curva vem rugínu!

Ponha têntu, véia Nega,

pega lógu u emborná,

córri, a carta aqui já chega

num mi deixa ela massá.

Mia santa, qui gastura

pégu di arripiá,

síntu até, fórti, a tuntura,

das vorta qui os vagão dá.

Chega aqui ô Vardemá,

pega as lênti si qué vê

túdu u amô qui tem na carta

qui hôji hei de arrecebê!


Nega foi e não em vão

e dos dedos fez varal,

para carta que então

nem entrou no embornal.

E subindo a ladeira

seca o rosto com o braço,

o suor cobre-a inteira,

não há sol, mas há mormaço.


Seu Bigode, do balcão,

grita com preocupação

- Vem dipressa, véia “lesa”,

chega lógu, perta u pássu,

pois é hôji, numa mesa,

qui em água mi disfaço.



Nega velha ali voltando,

ri e abana o envelope

e, de longe, palpitando:

- Teje carmo, sô Bigodi!


Põe-se o homem em carreira,

toma-lhe a carta das mãos.

À coitada, na canseira,

nem um gesto de atenção

E na folha bem branquinha,

vê -se grande um coração,

desenhado sobre as linhas,

com a ponta de um batom.


- Ôia aqui, ó Vardemá,

qui lindeza de missiva!

Põe o povo a comichá

feitu chanha di urtiga.


E o Valdemar sem jeito

cisma um ar de confusão:

- Num veju nada dereitu

us iscrítu dôndi istão?


-I ocê num sábi lê?

- Veju só rubro borrão...

-E quiria vê u quê?

Eva num sábi escrevê!


maria da graça almeida/sp
 
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