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Plano de Aula
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Plano de Aula

1) Informe preliminar referente a Seleção e Organização de Conteúdos:

 

            Quem aprende, aprende alguma coisa: o conteúdo.

 

            Factual (fatos e dados concretos), conceitual (é abstracional: idéias, fatos ou objetos ou símbolos com características comuns; mudanças situacionais e em fatos e objetos), procedimental (o que e como fazer as atividades, tarefas), atitudinal (participação nas atividades propostas; esforço e dedicação pessoal às tarefas; envolver-se no trabalho de equipe, em grupo; solidariedade, cooperação, respeito ao outro e ao meio ambiente, ajudar os colegas, ...).

 

            Para Claudino Piletti, Didática Geral, Ática: primeiro "é preciso selecionar as informações e saber como e onde adquirir novas informações quando estas forem necessárias", e o "tipo de conteúdo, ou seja, o que é mais importante que o aluno conheça". (...) "Os objetivos é que devem dar uma direção aos conteúdos". (...) "Conteúdo não abrange apenas a organização do conhecimento [dados, fatos, conceitos, princípios, ...], mas também as experiências educativas no campo desse conhecimento [experiências que o aluno vivenciará na ensinagem].

            Que gênero ou tipo de texto ou textos selecionaremos então para um trabalho em sala de aula, 6a. série, Língua Portuguesa?

 

            Critérios de seleção: validade (de confiança, representativos, atualizados), utilidade (aluno puder usá-lo no ambiente onde vive), significação (relacionado às experiências do aluno de modo a interessá-lo), viabilidade (dentro das limitações de tempo, recurso, e nível de compreensão da classe), possibilidade de elaboração pessoal (o próprio aluno ser capaz de avaliar e criticar o conteúdo), flexibilidade (esar sujeito a alterações conjunturais).

 

            Organização do conteúdo: Um critério é mobilizar as melhores cabeças sobre a disciplina e começar pelos princípios básicos, as idéias fundamentais da matéria a ser ensinada e despertar interesse, mostrar que o assunto é valioso, utilizável pelo aluno em outras situações além da escola. Por esse critério, lógico, baseado na estrutura da própria matéria, selecionar e organizar o conteúdo seria função de um especialista e não de um professor, principalmente um iniciante.

            Pelo critério psicológico o conteúdo seria disposto segundo o "nível de desenvolvimento intelectual ou cognitivo do aluno [Piaget, Freud, Vygotsky, Bandura] (...) e na ordem em que se realiza a experiência da criança"; primeiro [nível mais concreto-manipulativo, sensório-motor] aprende a fazer coisas, succionar o leite, caminhar, falar, comer com colher, brincar; segundo [pré-operatório, operatório-concreto], observando experiências alheias, por informação atrelada à sua atividade geral; terceiro [operatório-formal; aqui neste ponto aplicando o critério lógico de organização de conteúdos, acima nocionado, ensinagem mais racionalizada, sistemática], por enriquecimento e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos".

            O desenvolvimento cognitivo de um jovem da 6a. série já está suficientmente maturado para o uso de critério lógico de organização de conteúdos, suavemente introduzido e indo a complexando (já encontra-se em nível abstrato-conceitual). Assim, tomemos alguns tipos de contos para compará-los e extrairmos lições gramaticais e formais de algumas espécimes de narrativas:

 

a) Título da Aula: Algumas aventuras pela terra dos contos.

b) série: Ensino Fundamental, Ciclo II, 6a. série.

c) Tempo necessário: duas ou três aulas.

d) Objetivo: familiarizar o discente com características formais de contos e narrativas, extraindo lições de classes gramaticais, acentuação, ortografia, formação de palavras, pontuação, figuras literárias, e o que mais vier à prática aulal por iniciativa dos alunacentes ou insights da docência.

e) Habilidades (que operações de pensamento serão ativadas): formação de idéias, imagens-mentais, conceitos, das informações sobre o assunto; comparações; raciocínios (juízos de existência, de valor, referentes ao tema conto, narração).

f) Conteúdo: abordará a aula sobre o assunto Conto e textos narrativos, o que é, a sua estrutura e características.

            - factual-conceitual: identificar as características de um conto e as partes constituintes de um texto narrativo (espaço, tempo, personagens, ação, narrador). Exemplificar alguns modelos formais narrativos: o gênero conto, as espécies apólogo, fábula, parábola, em balada (poemático), como um soneto e em poemas diversos, policial, jornalístico, romântico, de suspense, conto de fadas.

 *

            - procedimental, sequenciamento de atividades propostas:

Aula_1:

            i) distribuir aos alunos exemplares de contos e pedir que leiam em casa e analisem, comparem, cheguem às suas conclusões para a próxima aula.

            ii) em seguida explicar a história de como surgiu o conto: homens a muito tempo em torno de uma fogueira narravam as suas aventuras, reais ou fictícias, casos narravam, de oitiva ou mentiras em fundo de verdade que um contava outro queria a contar a maior, lendas se formavam... Foi lá na Índia que os maravilhos contos vieram de a nascer cá a Europa..., etc.

            iii) explicar sobre as características de um conto, os tipos de conto, e os elementos de um texto narrativo.

Aula_2:

            i) pedir que formem os alunos grupos de 4 ou 5.

            ii) identifiquem as características narrativas de cada conto, troquem idéias e opiniões, e apresentem numa folha com os nomes e números dos componentes do grupo.

            iii) para finalizar os membros de cada grupo escreverão um conto participativo, de curta extensão, sortearão em par ou ímpar ou papeizitos aquele que dará início ao jogo contual que escreverá o primeiro trecho da história que será continuada em outro trecho pelo segundo aluno tirado em sorteio, até chegar ao último de grupo o qual fará o desfecho do conto.

            iv) apresentação oral-grupal do conto criado por cada grupo.

Aula_3:

            i ) ainda sobre os contos, extraindo deles exemplos para análise gramatical a ser feita individual por cada aluno.

 *

            - atitudinal: a participação individual e grupal dos alunos; dedicação pessoal à tarefa dada para casa; envolvimento no trabalho em equipe; convivência, a cooperação e respeito mútuo.

 *

g) Organização da sala: trabalho individual e em grupo de 4 ou 5 (arrumação das carteiras à vontade dos componentes).

h) Materiais ou recursos didáticos: lousa e giz ou se possível um meio eletrônico de retroprojeção, distribuição de folhas com exemplares de contos, materiais dos alunos.

i) Estratégia didática (aqui optei por entender por distribuição ou alocação dos recursos; estratégia segundo Claudino Piletti é um termo militar que significaria descrição dos meios disponíveis para atingir o objetivo, o que englobaria também o item anterior, entretanto, aqui foram separados) e desenvolvimento da aula: distribuição dos alunos em grupos de 4 ou 5 para estudo dos contos e criação de um conto participativo inédito.

j) avaliação: pontuação pelo trabalho em grupo, pelos exercícios gramaticais, e uma prova tipo teste de dez questões com duas ou três dissertativas.

k) Exemplo de exemplares de contos e textos narrativos:

 

            k.0) (Recebi, achei legal, estou passando...):

 

Dia Feliz na rede mundial, o sol brilha e tudo vai de bem a melhor!

 

            O nome dele era Fleming e era um pobre fazendeiro escocês. Um dia, enquanto trabalhava para ganhar a vida e o sustento para sua família, ele ouviu um pedido desesperado de socorro vindo de um pântano nas proximidades. Largou suas ferramentas e correu para o local. Lá chegando, enlameado até a cintura de uma lama negra, encontrou um menino gritando e tentando se safar da morte. O fazendeiro Fleming salvou o rapaz de uma morte lenta e terrível. No dia seguinte, uma carruagem riquíssima chega a humilde casa do escocês. Um nobre elegantemente vestido sai e se apresenta como o pai do menino que o fazendeiro Fleming tinha salvado.

            - Eu quero recompensá-lo, disse o nobre. Você salvou a vida do meu filho.

            - Não, eu não posso aceitar pagamento para o que eu fiz, responde o fazendeiro escocês, recusando a oferta.

            Naquele momento, o filho do fazendeiro veio a porta do casebre.

            - É seu filho? - perguntou o nobre.

            - Sim. - o fazendeiro respondeu orgulhosamente.

            - Eu lhe farei uma proposta. Deixe-me levá-lo e dar-lhe uma boa educação. Se o rapaz for como seu pai, ele crescerá e será um homem do qual você terá muito orgulho.

            E foi o que ele fez. Tempo depois, o filho do fazendeiro Fleming se formou no St. Mary's Hospital Medical School de Londres, ficou conhecido no mundo como o notável Senhor Alexander Fleming, o descobridor da Penicilina. Anos depois, o filho do nobre estava doente com pneumonia. O que o salvou? Penicilina. O nome do nobre? Senhor Randolph Churchill. O nome do filho dele? Senhor Winston Churchill. Alguém disse uma vez que a gente colhe o que a gente planta. Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro. Ame como se você nunca tivesse tido uma decepção. Dance como se ninguém estivesse te assistindo. És mais um na rede da Família Internacional de Amizades. Envie isto a todo o mundo que você considera um AMIGO. Passe isto, e clareie o dia de alguém. Nada acontecerá se você decidir não passar isto adiante. A única coisa que acontecerá, se você passar isto, é que você poderá deixar alguém feliz por saber que tem um amigo.

 

            k.1) soneto narrativo:

 

                        “Sete anos de pastor Jacó servia

                         Labão, pai de Raquel, serrana bela;

                         Mas não servia ao pai, servia a ela,

                         E a ela só por prêmio pretendia.

 

                         Os dias, na esperança de um só dia,

                         Passava, contentando-se com vê-la;

                         Porém o pai, usando de cautela,

                         Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

 

                         Vendo o triste pastor que com enganos

                         Lhe fora assim negada a sua pastora,

                         Como se a não tivera merecida,

 

                         Começa de servir outros sete anos,

                         Dizendo: - Mais servira, se não fora

                         Para tão longo amor tão curta a vida!”  (Camões)

 

 

            “De Raimundo Correia, A CAVALGADA:

 

                        A lua banha a solitária estrada...

                        Silêncio!... Mas além, confuso e brando,

                        O som longínquo vem-se aproximando

                        Do galopar de estranha cavalgada.

 

                        São fidalgos que voltam da caçada;

                        Vêm alegres, vêm rindo, vêm cantando.

                        E as trompas a soar vão agitando

                        O remanso da noite embalsamada...

 

                        E o bosque estala, move-se, estremece...

                        Da cavalgada o estrépito que aumenta

                        Perde-se após no centro da montanha...

 

                        E o silêncio outra vez soturno desce...

                        E límpida sem mácula, alvacenta,

                        A lua a estrada solitária banha...”

 

            k.2) balada: No Romanceiro garrettiano, há o seguinte exemplo de lirismo tradicional portuguës em fôrma de balada: “A Nau Catrineta”.

 

                                   Lá vem a nau Catrineta

                                   Que tem muito que contar!

                                   Ouvide, agora, senhores,

                                   Uma história de pasmar.

 

                                    Passava mais de ano e dia

                                   Que iam na volta do mar,

                                   Já não tinham que comer,

                                   Já não tinham que manjar.

                                   Deitaram sola de molho

                                   Para o outro dia jantar;

                                   Mas a sola era tão rija,

                                   Que a não puderam tragar.

                                   Deitaram sortes à ventura

                                   Qual se havia de matar;

                                   Logo foi cair a sorte

                                   No capitão general.

 

                                   - Sobe, sobe, marujinho,

                                   Àquele mastro real,

                                   Vê se vês terras de Espanha,

                                   As praias de Portugal,

                                   “Não vejo terras de Espanha,

                                   Nem praias de Portugal,

                                   Vejo sete espadas nuas

                                   Que estão para te matar.”

                                   - Acima, acima gajeiro,

                                   Acima, ao tope real!

                                   Olha se enxergas Espanha,

                                   Areias de Portugal.

                                   “Alvíssaras, capitão,

                                   Meu capitão general!

 

                                   Já vejo terras de Espanha,

                                   Areias de Portugal.

                                   Mais enxergo três meninas

                                   Debaixo de um laranjal

                                   Uma sentada a coser,

                                   Outra na roca a fiar,

                                   A mais formosa de todas

                                   Está no meio a chorar.”

                                   - Todas três são minhas filhas,

                                   Oh! quem mas dera abraçar!

                                   A mais formosa de todas

                                   Contigo a hei de casar.

                                   “A vossa filha não quero.

                                   Que vos custou a criar.”

                                   - Dar-te-ei tanto dinheiro

                                   Que o não possas contar.

                                   “Não quero o vosso dinheiro,

                                   Pois vos custou a ganhar.”

                                   - Dou-te o meu cavalo branco,

                                   Que nunca houve outro igual.

                                   “Guardai o vosso cavalo,

                                   Que vos custou a ensinar.”

                                   - Dar-te-ei a nau Catrineta,

                                   Para nela navegar.

                                   “Não quero a nau Catrineta,

                                   Que a não sei governar.”

                                   - Que queres tu, meu gajeiro,

                                   Que alvíssaras te hei de dar?

                                   “Capitão, quero a tua alma

                                   Para comigo a levar.”

 

                                   - Renego de ti, demônio.

                                   Que me estavas a tentar!

                                   A minha alma é só de Deus;

                                   O corpo dou eu ao mar.

 

                                   Tomou-o um anjo nos braços,

                                   Não no deixou afogar.

                                   Deu um estouro o demônio,

                                   Acalmaram o vento e mar;

                                   E à noite a nau Catrineta

                                   Estava em terra a varar.

 

            Exemplo de balada erudita: De Guilherme de Almeida, “Balada do Solitário”, em sua forma mais comum (três oitavas e um quarteto, rimas entrecruzadas e repetição no último verso das estrofes de algum conceito ou último verso da primeira estrofe mais ou menos alterado (um paralelismo, a base do pensar do poeta em torno de uma idéia)):

 

                                   “Edifiquei certo castelo

                                   por uma esplêndida manhã:

                                   brincava o sol, quente e amarelo,

                                   numa alegria incauta e sã.

                                   E eu quis fazer, ó louco anelo!

                                   desse palácio encantador

                                   o ninho rico, mas singelo,

                                   do teu, do meu, do nosso amor.

 

                                   Por isso, em vez do som do duelo

                                   tinindo em luta heróica e vã,

                                   fiz soluçar um “ritornello”

                                   em cada ameia ou barbacã...

                                   Depois, tomando o camartelo,

                                   alto esculpi, dominador,

                                   esse brasão suntuoso e belo

                                               do teu, do meu, do nosso amor.

 

                                   De que serviu? se elo por elo

                                   dessa paixão de alma pagã

                                   rompeste a golpes de cutelo,

                                   ó minha loira castelã?

                                   Hoje estou só, sozinho, e velo

                                   por este imenso corredor

                                   que corre, corre paralelo

                                               ao teu, ao meu, ao nosso amor.

 

                                   Ofertório:        A ti, Princesa, eu te revelo

                                                           esta canção, que um trovador

                                                           virá cantar pelo castelo

                                                           do teu, do meu, do nosso amor!”

                                   (apud Massaud Moisés – Criação Literária - Poesia)

 

            Outro exemplo de Balada Erudita ou clássica, de Olavo Bilac:

 

                        “Vi-te pequena: ias rezando

                        Para a primeira comunhão:

                        Toda de branco, murmurando,

                        Na fronte o véu, rosas na mão.

                        Não ias só: grande era o bando...

                        Mas entre todas te escolhi:

                        Minh’alma foi-te acompanhando,

                                   A vez primeira em que te vi.

 

                        Tão branca e moça! o olhar tão brando!

                        Tão inocente o coração!

                        Toda de branco, fulgurando,

                        Mulher em flor! flor em botão!

                        Inda, ao lembrá-lo, a mágoa abrando.

                        Esqueço o mal que vem em ti,

                        E, o meu rancor estrangulando,

                                   Bendigo o dia em que te vi.

 

                        Rosas na mão, brancas... E, quando

                        Te vi passar, branca visão,

                        Vi, com espanto, palpitando

                        Dentro de mim, esta paixão...

                        O coração pus ao teu mando...

                        E, porque escravo me rendi,

                        Ando gemendo, aos gritos ando,

                                   - Porque te amei! Porque te vi!

 

                        Depois fugiste... E, ainda te amando,

                        Nem te odiei, nem te esqueci:

                        - Toda de branco... ias rezando...

                                   Maldito o dia em que te vi!”

 

            Brant-Horta exemplifica um tipo mais singelo com duas oitavas e um refrão após cada estrofe. Ocorre paralelismo entre um verso da estança e seu estribilho. Emprega o verso popular, heptassílabo. O que caracteriza a balada está presente: uma história curta, de um só episódio, que começa e termina rapidamente (Amanhecendo, do amanhecer marítimo a uma chuva como lágrimas sobre o mar):

 

                                   Caí, ó pérolas soltas,

                                   Pálidos astros, no mar.

                                   Esplendem nuvens revoltas

                                   À última luz do luar.

                                   Do levante claro e esplêndido

                                   Vem, ó vento, e agita as asas

                                   Sobre a vaga a cintilar.

 

                                   Caí como extintas brasas

                                   Pálidos astros, no mar!

 

                                   Mergulhai-vos nas espumas

                                   Das ondas do eterno mar;

                                   Dos montes somem-se as brumas

                                   À luz da aurora, a brilhar,

                                   Nos bosques, de orvalho, róridos.

                                   Sobem mil vozes confusas

                                   Que pairam trêmulas no ar.

 

                                   Caí, lágrimas profusas,

                                   Nas ondas do eterno mar.

 

            Outro exemplo é a “Balada No. 7” de Moacir Franco, apud “Comunicação em
língua nacional”, J. Milton Benemann e Luís A. Cadore, 8a. série, Editora Ática:

 

                        Sua ilusão entra em campo

                        No estádio vazio

                        Uma torcida de sonhos

                        Aplausos talvez

                        O velho atleta recorda

                        As jogadas felizes, mata a saudade no peito

                        Driblando a emoção

 

                                   Hoje outros craques repetem

                                   As suas jogadas

                                   Ainda na rede balança

                                   Seu último Gol

                                   Mas pela vida impedido parou

                                   E para sempre o jogo acabou

                                   Suas pernas cansadas, correram pro nada

                                   E o time do tempo ganhou

                                   Cadê você

                                   Cadê você

                                   Você passou

 

                        O que era doce e o que não era

                        Se acabou

                        Cadê você

                        Você passou

                        No vídeo-tape do sonho

                        A história gravou

                        Ergue seus braços e corre

                        Outra vez no gramado

                        Vai tabelando seu sonho

                        E lembrando o passado

                        No campeonato da recordação

                        Faz distintivo no seu coração

                        E as jornadas da vida

                        São bolas de sonho

                        Que o craque do tempo chutou

                        Cadê você

                        Cadê você

                        Você passou

 

            k.3) fábula: uma história alegórica em forma de poema versificado ou conto em prosa onde há personificação de animais e insetos. Estes falam, agem e pensam como homens. Quase sempre procura educar e amenizar costumes contrários à boa convivência conscientizando aspectos de moralidade e bem-viver. Um primeiro exemplo seria “O Falcão e o Rouxinol”de Hesíodo (grego do século VIII a. C.). Os mais conhecidos cultores foram Fedro (romano), Esopo (grego) e o francês La Fontaine. Exemplo:

 

                                   O COELHO E O PERIQUITO

 

                        Um pobre coelho cai de uma fera na garra.

                        - “Que fizeste dos pés?” – pergunta um periquito.

                        Eis um gavião que passa e o passarinho agarra.

                        - “Das asas que fizeste?” – indaga-lhe o coelhito.” (João Ribeiro)

 

O LOBO E O CORDEIRO

 

            O Lobo e o Cordeiro, de Esopo, apud Fábulas de Esopo, editora Paulus, página 12:

 

            “Aquele verão estava muito quente e um lobo dirigiu-se a um riachinho, disposto a arefrescar-se um pouco. Quando se preparava para mergulhar o focinho na água, ouviu um leve rumor e viu a grama se mexendo. Ao olhar em direção ao barulho, avistou, logo adiante, um cordeirinho, que bebia tranqüilamente.

            - Que sorte! – pensou o lobo. – Vim para beber água e encontro comida também...

            Pôs um tom severo na voz e chamou:

            - Ei, você aí!

            - É comigo que o senhor está falando? – surpreendeu-se o cordeirinho. – Que
deseja?

            - O que é que eu desejo?! Ora, seu mal-educado! Não vê que, ao beber; você suja a minha água? Nunca ninguém ensinou você a respeitar os mais velhos?

            - Senhor... Como pode dizer isso? Olhe como bebo com a ponta da língua... Além
do mais, com sua licença, eu estou mais abaixo, e o senhor mais acima... A água passa
primeiro pelo senhor e só depois por mim. Não é possível que eu o incomode! – respondeu o cordeirinho, com voz trêmula.

            - Ora essa! Com a sua idade já quer me ensinar para que lado corre a água?

            - Não, de jeito nenhum, não é isso... Só queria que reparasse...

            - Que reparar que nada! Você não me engana! Pensa que escapará, como no ano
passado, quando andava por aí, falando mal da minha família? “Os lobos são assim, os
lobos são assado!” Você teve muita sorte, por nunca termos nos encontrado, senão eu já
teria mostrado a você como são os lobos!

            - Nem imagino quem lhe contou isso, senhor, mas é mentira. A prova é que, no ano passado, eu ainda nem tinha nascido...

            - Pois, se não foi você, foi o seu pai! – rosnou o lobo, saltando em cima do pobre
inocente e devorando-o.

  Moral da história:

            Quando uma pessoa está decidida a fazer o mal, qualquer razão lhe  serve, inclusive uma mentira.

 

                                   O LEÃO E O RATINHO

 

            Um ratinho, saindo de sua toca, foi passear na floresta. De repente, viu-se preso
entre duas enormes patas. Eram as patas de um leão! Este estava prestes a comê-lo, quando
o ratinho implorou:

            - Pelo amor de Deus, deixe-me ir! Sou tão pequeno que não matarei sua fome!
Algum dia poderei ajudá-lo...

            O leão riu com gosto e perguntou:

            - Como poderá ajudar o rei dos animais?

            - Solte-me e verá que ainda lhe serei útil!

            Compadecido, o leão o deixou partir.

            Uma semana depois, o ratinho divertia-se despreocupadamente quando ouviu fortes
rugidos. Correndo para ver o que se passava, deparou com seu amigo a debater-se nas
cordas de uma armadilha. Então exclamou:

            - Agora, sim, vou pagar o favor que me prestou!

            Em seguida, pôs-se pacientemente a roer as cordas. Roeu, roeu, até que elas se
romperam. Libertando-se, o leão disse:

            - Muito obrigado, amigo!

-          Não tem nada a agradecer – respondeu o ratinho. – Amor com amor se paga.”

(livro Brasília, professora Daisy Bréscia, 1960, p. 25)

 

 

 

 

                                   O CORVO E O JARRO

 

            Marina estava muito triste porque tivera notas baixas na escola. Isso acontecia todos os meses. Então tomava a resolução de aplicar-se nos estudos mas desanimava ante a primeira dificuldade.

            - Por que não consigo ser boa aluna, mamãe?

            Sorrindo, ela respondeu:

            - Você o será se tiver perseverança. Vou lhe contar uma história.

            “Era uma vez um corvo que estava com muita sede. Vendo um velho jarro no fundo de um quintal, reparou que ele continha água. Tentou bebê-la mas não conseguiu
alcançá-la, pois o vaso era muito alto. – E agora? – resmungou. – Que devo fazer?
– Pensou... pensou... e de repente teve uma grande idéia. Como houvesse pedregulhos ali por perto pegou um deles e o jogou dentro do jarro. Depois fez a mesma coisa com outro e mais outro. Quanto mais pedregulhos jogava, mais a água subia. Quando ela ficou ao alcance de seu bico, matou a sede”.

            Abraçando a mãe, Marina lhe disse:

            - Agora compreendo. A gente não deve desistir diante das dificuldades.

            - Isso mesmo, minha filha. Na vida, com inteligência e perseverança, tudo se
alcança.” (livro Brasília, professora Daisy Bréscia, 1960, p. 31)

 

                                   TEORIA E PRÁTICA

 

            Entre o dizer as coisas e o fazer as coisas há uma grande distância.

            A propósito disso, aí vai a história dos ratos e do gato.

            Como a casa andasse infestada de ratos, que roíam quanto achassem, resolveu o
dono procurar um gato para dar caça aos indesejáveis. Entrou, então, em casa, um gatão
amarelo, de olhos verdes, fartos bigodes e experimentado na caça dos intrusos. Era um
verdadeiro raticida. Quando os ratos souberam da coisa, entraram a pensar na triste sorte
que os esperava. Morrer de fome ou perecer nas garras do bichano.

            Reunidos um dia em lugar secreto, puseram-se em assembléia, a discutir o melhor meio de romper o cerco do gatão amarelo, e de anular a sua vigilância.

            Falou um rato velho e experiente, que expôs a sua idéia. Todos bateram palmas mas o plano era muito arrojado.

            Falou um ratinho ladino, mestre na arte de enganar gatos, mas também não
conseguiu convencer a turma com a sua sugestão.

            E a reunião continuava com discursos, apartes e ovações. Mas idéia aproveitável, nada!

            Por fim, uma ratazana de pêlo ruço, pausadamente, considerou que a melhor
maneira de combater a ação do inimigo era amarrar-lhe um guizo no pescoço. Quando ele se aproximasse, na sua ronda, a rataria saberia que o perigo estava iminente.

            Fartos aplausos coroaram a idéia, aliás a melhor de todas.

            - Pois agora, disse o presidente da assembléia, é só passar da teoria à prática. Vamos ver quem será capaz de amarrar o guizo no pescoço do gato.

            Aqui murcharam os participantes da reunião. Emudeceram. E a idéia morreu por si mesma.”  (do livro Alvorada, 3a. série, Antônio D’Ávila, p. 18.)

 

 

            k.4) apólogo: semelhante à fábula, com a diferença de atuarem personificados
objetos inanimados artificiais ou da natureza tais como a mesa e a cadeira, a pedra e o
riacho, etc. Exemplo:

 

                                             O VENTO E A POEIRA

 

                                               O vento sem ter medo

                                               Levanta em turbilhão

                                               O pó, que estava quedo,

                                   No seu canto dormindo em feio chão.

 

                                               E o lá pelas alturas

                                               O pó julga-se um rei;

                                               Fazendo diabruras

                                   Governa a todos com austera lei.

 

                                               O vento, porém, cessa;

                                               O pó na terra lisa

                                               Caiu muito depressa;

                                   O rico, o pobre, nele pisa.

 

                                               “Pensei ser grande coisa”,

                                               Diz ele tristemente,

                                               Agora assim repoisa

                                   Quem nos ares andou garbosamente!

 

                                               Aquele que se eleva

                                               Sem mérito real,

                                               Muitas horas não leva

                                   Na bela posição que exerce mal;

 

                                               Pois logo que lhe falta

                                               A protetora mão,

                                               De posição bem alta

                                   Vem, como deve, rastejar no chão!”  (Anastácio do Bonsucesso,
Barão de Paranapiacaba, apud(10), p. 34)

 

            De Carlos Góis, “A Linha e a Agulha”, apud Estórias que Agradam, 4a. Série,
Alines e Stella, p. 61:

 

            A linha

 

                        Pois não me conhecem, não?

                        Eu sou a linha que cose

                        A saia, a blusa, o gibão,

                        E opera a metamorfose

                        De converter mero pano

                        Num vestido de espavento.

 

            A agulha

 

                        O que diz é puro engano:

                        Não cabe no pensamento

                        A alguém que a série reflita.

                        O que lhe escutei agora

                        É de uma audácia inaudita!

 

            A linha

 

                        Ora, deixe, senhora...

 

 

            A agulha

 

                        Que a deixe? Como? Por quê?

                        Pois, inda que se aborreça,

                        Hei de dizer a Você

                        O que me vier a cabeça!

 

            A linha

 

                        Cabeça? Mas porventura

                        É a senhora alfinete?

                        Pois quê? Supõe, conjetura

                        Que, por lhe sobrar topête,

                        Possua cabeça a agulha?

                        Estou calada em meu canto

                        Sem meter ninguém à bulha

                        Faça a senhora outro tanto.

 

            A agulha

 

                        Seu orgulho é excessivo.

 

 

            A linha

 

                        Tenho razões para tal.

 

            A agulha

 

                        Saber quisera o motivo

                        Dessa empáfia original.

 

            A linha

 

                        Pela razão que aduzida

                        Fora há pouco. Os atavios

                        Que põem nossa ama garrida

                        Seus vestidos corredios,

                        Quem os cose senão eu?

 

            A agulha

 

                        Pois insiste em repisar

                        O que há pouco me expendeu?

                        Esquece que a costurar

                        Os vestidos sou só eu?

 

            A linha

 

                        É você quem fura o pano,

                        Quem o acama e desbrava

                        Mas, quem o cose e alinhava,

                        Eu sou, - que disso me ufano!

                        Sou eu que faço avultar

                        Os refolhos dos babados,

                        E trato de coordenar

                        Os retalhos dispersados.

 

            A agulha

 

                        Isso que importa? Se furo

                        O pano, é porque me adianto

                        Com isso timbro e procuro

                        Puxar por Você. Portanto,

                        Quem me segue e me acompanha,

                        Presta obediência ao que faço

                        E ordeno!

 

            A linha

 

                        O rei, quando sai do paço,

                        Leva adiante os batedores.

 

            A agulha

 

                        Rei, Você? Compreendo agora!

                        Seu orgulho é dos maiores!

 

            A linha

 

                        Não digo tal, não, senhora,

                        Mas, a falar a verdade,

                        Indo a senhora na frente,

                        Opera na qualidade

                        De um subalterno. Consente

                        Em desbravar o caminho

                        Para que passe depois.

                        O seu trabalho é mesquinho,

                        Obscuro e vil!

 

            A agulha

 

                        Mas, diga-me sem malícia:

                        Quando cose a costureira,

                        A quem dispensa a carícia

                        Terna, macia, fagueira

                        Dos dedos? A todo instante,

                        Quem permanece a seu lado,

                        Pressurosa e vigilante?

                        Quem logra lisonja e agrado

                        Do fino e leve contato

                        Do seu pólex delicado,

                        Senão a agulha?

 

            A linha

 

                        Todo esse palavreado!

                        Finda que seja a feitura,

                        Volta a agulha para o fundo

                        Do balaio de costura!

                        Enquanto, alegre e jucundo,

                        O tênue fio de linha,

                        Incorporado ao vestido

                        De uma princesa ou rainha

                        Vai auferir o partido

                        De, em bailes e festivais

                        Voltejar com diplomatas,

                        Ministros e generais!

 

            A agulha

 

                        Sirva a contenda,

                        Que entre nós se debateu

                        De sobreaviso e de emenda

                        Aos inespertos como eu!

                        Não sejam tolos de abrir

                        Caminho a pessoa alheia,

                        Que dentro em pouco há de vir

                        Alegrar que nada

                        Deve a quem a encaminhou,

                        Mas que foi sua criada,

                        Que fez o que lhe ordenou!

 

            A linha

 

                        Ouço a voz da costureira

                        Que nos chama a toda pressa!

                        Não lhe vale estar possessa:

                        Siga, pois, na dianteira!”

 

 

            k.5) parábola: uma alegoria de cunho doutrinário ou doutrinário-religioso.
Exemplo:

 

                                   A OVELHA PERDIDA

 

                                   Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores

                                     para o ouvir.

                                   E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo:

                                   “Este recebe pecadores e come com eles.”

 

                                   Então, lhes propôs Jesus esta parábola:

                                   “Qual, dentre vós, é o homem que,

                                     possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas,

                                     não deixa no deserto as noventa e nove

                                     e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?

 

                                   Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.

                                   E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes:

                                   ‘Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.’

 

                                   Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu

                                     por um pecador que se arrepende

                                     do que por noventa e nove justos

                                     que não necessitam de arrependimento.”  (Bíblia, Lucas, v.1-7)

 

                                               AS PIPAS

 

                                   - Há poucos dias, Orlando,

                                   Na fazenda de meus pais,

                                   Eu vi dois homens rolando

                                   Algumas pipas iguais.

 

                                   A pipa cheia e pesada

                                   Desliza, silenciosa,

                                   Enquanto a que não tem nada

                                   Aos pulos, salta, ruidosa.

 

                                   - A imagem da sociedade

                                   Ali tiveste, segura:

                                   Pelos roncos, ninguém há de

                                   Julgar uma criatura.

 

                                   Quem sabe e vale, no mundo,

                                   Vai sereno, sem desvio,

                                   Enquanto rufa, iracundo,

                                   Quem é de tudo vazio.”  (Abílio Machado)

 

 

                                               O PAPEL E A CORDA

                                                           (Parábola)

 

            Um dia um sábio passeava com um seu discípulo e viu um pedaço de papel na rua.

            - Apanha aquele papel, disse ele ao discípulo, e vê se tem algum cheiro.

            O discípulo apanhou o papel e disse:

            - Tem agradável perfume.

            - Donde lhe virá esse perfume? perguntou o sábio.

            - Provavelmente de ter embrulhado algum objeto perfumado, respondeu o discípulo.

            Foram mais adiante, e o sábio viu noutra rua um pedaço de barbante.

            - Apanha aquele pedaço de barbante, disse ao discípulo, e vê se tem algum cheiro.

            O discípulo apanhou o pedaço de barbante e disse:

            - Tem mau cheiro.

            - Donde lhe virá esse cheiro? perguntou o sábio.

            - Parece que serviu para atar peixe estragado.

            Então o sábio observou:

            - O contato com as coisas puras e de bom aroma comunica a pureza e o bom aroma;
o contato com as coisas impuras e infetas comunica a impureza e o mau odor. Vive com os
bons e serás um deles; foge dos maus para não seres mau como eles... (do livro Alvorada,
3a. série, Antônio D’Ávila, p. 112.)

 

                                               OS TRÊS TALISMÃS

 

            - Que é preciso para aprender? Perguntou um filho ao pai.

            - Para aprender, para saber e para vencer, respondeu o pai, é preciso buscar os três
talismãs: a alavanca, a chave e o facho.

            - E onde encontrá-los Interroga o filho.

            - Dentro de ti mesmo, explica o pai. Os três talismãs estão em seu poder e serás
poderoso, se quiseres fazer uso deles.

            - Não compreendo, diz o filho cada vez mais intrigado. Que alavanca é essa?

            - A tua vontade. É preciso querer, é preciso remover obstáculos para aprender.

            - E a chave?

            - O teu trabalho. É preciso esforço para dar volta à chave e abrir o palácio do saber.

            - E o facho.

            - A tua atenção. É preciso luz, muita luz, para iluminar o palácio.

               Só assim poderás ver com clareza e descobrir a verdade, que vence a ignorância.

 

 

 

 

 

                                               AS TRÊS PENEIRAS

 

            Pedrinho chegou da escola correndo, largou a mala em um canto e chamou a mãe:

            - Mamãe! Mamãe! Onde está?

            Indo a seu encontro, beijou-a e continuou:

            - Sabe o que me contaram? Que o luís...

            - Espere um pouquinho – interrompeu a mãe. – Antes de começar a falar lembre-se das três peneiras.

            - Que peneiras, mamãe?

            - A primeira chama-se verdade. Você tem certeza que é verdade o que vai contar?

            - Bem, certeza não tenho.

            - A segunda peneira chama-se benevolência. A notícia que vai me dar é boa?

            - Não.

            - A terceira chama-se necessidade. Será necessário você repetir o que ouviu falar de seu companheiro?

            - Não, mamãe.

            - Pois então, se não é necessário, nem agradável, nem talvez seja verdadeiro o que você vai contar, o melhor que tem a fazer, meu filho, é calar-se.

            Nunca mais Pedrinho esqueceu a história das três peneiras em toda a sua vida e
jamais se arrependeu disso.” (livro Brasília, professora Daisy Bréscia, 1960, p. 7)

 

 
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