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Por que as pessoas boas sofrem mais?

Classifico com boa a pessoa que procura fazer o bem. Ninguém é melhor que ninguém, mas existem aqueles que se destacam por terem dedicado sua vida a estender a mão aos mais necessitados. Essas pessoas formam um grupo especial, cuja existência marca a diferença no mundo. O que mais me angustia é saber que, quanto mais bem alguém faz, mais este alguém sofre. Será que existe uma explicação pra isso? Vejamos!
 
É difícil fazer a diferença no meio da guerra. Os soldados que não lutam são taxados de covardes ou podem até mesmo sucumbir. Viver num mundo violento e ser um amante da paz custa caro. Os que decidem fazer a diferença precisam pagar o preço por sua bondade. Este talvez seja o maior motivo que remete ao sofrimento dos bons.
 
A bondade tem duas vertentes: faz bem a quem a recebe e mais ainda a quem a dá. Seus frutos demoram mais para aparecer. É mais fácil destruir um edifício do que construí-lo. Não custa muito fazer o mal. Fazer o bem é tarefa demorada, suada e que exige perseverança. É despojar-se da condição de superioridade e ir ao encontro de quem grita por socorro. Os bons sofrem porque existe menos gente para ajudar e mais para atrapalhar.
 
O mundo nos ilude com a falsa idéia do ter para ser. Quem tem o que exibir se orgulha de ser mais do que aqueles que nada tem. E o orgulho de achar-se superior tapa nossa visão para perceber os anseios de quem está ao nosso redor. Só quem sofreu e aprendeu a lição sabe ajudar quem hoje precisa de ajuda. A bondade tem muito da generosidade. Compreendo que o que tenho e sou só tem valor se for colocado a serviço do outro. Uma árvore que cresce e não dá frutos está condenada a ser cortada e lançada no fogo.
 
Entendamos que não é fácil ser bom, fazer o bem. São Francisco já entendia isso quando compôs a sua celebre oração: “Senhor, fazei-me instrumento de tua paz. Onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver ofensa que eu leve o perdão, onde houver erro que eu leve a verdade...” Sempre encontraremos mais razões para odiarmos do que amarmos. Muitas vezes as pessoas são insuportáveis, egoístas e insensíveis. O desafio consiste em amá-las assim mesmo. Fazendo o bem estaremos sendo construtores da paz e quem planta a paz tem todos os motivos do mundo para sofrer de cabeça erguida. A dor deixa de ser simplesmente dor quando seus motivos são colocados a serviço de alguém.
 
 
Paulo Franklin
* o autor é estudante do curso de Direito, trabalha
como radialista, fotografa nas horas vagas, ministra
palestras para diversos grupos e escreve para sites. 
 
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